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quarta-feira, 19 de novembro de 2008

O Amor ...


Na pele
Na carne e no osso
Na voz
No beijo colapso
Sedento e atroz
Está o Amor
Que eu me vejo

Na rodagem do dia
Na camuflagem da noite
Na insinuação inflamada
Que corpo a corpo
Incendeia a magia
Está o Amor
Que eu me concebo

Na presença
Na intensa substancia
Que entranha o aroma
Do cheiro da pele
De dois seres
Está o Amor
Que eu assino

Na tramitação
Entre o ser e o dar
Entre o receber e o estar
Nas relações verificáveis
Nas realidades palpáveis
Está o Amor
Que eu me revejo

Na convivência plena
Na discordância
Na convergência
Na vida consumada
Pela crua realidade
Na gestão rotineira
Na confluência da dificuldade
Na superação da inércia
Na evolução criativa

Entre dois seres

Está a verdadeira essência

Do Amor partilhado

Em que

Eu Acredito ….




terça-feira, 18 de novembro de 2008

Testemunha de Mim


Algo agrestes
Têm sido estes dias
As noites violeta
Azul e cinza
Mas no meio de tudo isto
Eu procuro e sintonizo
Tentando assim equilibrar
O que eu a mim mesmo
Na orla da neblina me explico

Deambulando
Na textura
Por vezes rugosa
Dos meus pensamentos
Surpreendo-me a cair
Inadvertidamente
No precipício
Escarpado da dúvida

Pois
Humanos
Frágeis
Maleáveis e imperfeitos
Existimos
Mas no respeito congrego
Ideais conciliados pelo perfume
Destilado
Na profundidade dos areais
Onde perduram
Corais de sentimento
Refinado

Na drenagem
Das salinas
Do sal e do medo
Prova-se o sabor da lágrima
Que se colhe
Na curva do rosto
Com a mão
Ou com o dedo

Testemunha de mim
Compassivamente observo
Somos dois e não um
Distancio-me
Das sequências da emoção
Protegendo-me da dor
Que trás a marca da chaga
Da cicatriz
No coração e na mão
Testemunha sim
No roteiro
Do diálogo incomum
Entre o eu
E o outro eu de mim

Nestas voltas da vida
Que nos deixam
No acto do trapézio
Assim
Adoraria inspirar
O cheiro intenso
A iodo do mar

Na certeza brutal

De não haver

Nenhuma
Interrogação
Em mim

Flutuando na
Inodora leveza

Da imensidão
Do ar ….

domingo, 16 de novembro de 2008

O Rasgo desse Olhar


De um qualquer lugar
Sinto a presença
Da sua incidência
Não sei se no distúrbio da distancia
Perco um pouco a noção
Se será mesmo meu
Ou se de alguém
O rasgo desse olhar


Na convulsão dos dias
Que seguem na linha do horizonte
Numa sequência disforme
Que penetra e consome
O tutano e o sangue
Até que a consciência tome
Os resíduos e os pingos
Na reciclagem
De tantas almas vazias


De um qualquer lugar
Quer seja na dobra que dou
Ou num gesto que me tocou
Na palavra que algures deixei
E que por aí ficou
Pois
Eu sei o que sinto
No verde da folha
Na seiva da lágrima
Nos poros do orvalho
Não sou
Homem que minto


Na minha distancia
Que destrói a fagulha
De uma qualquer ânsia
Eu pego no beijo
Que me incendiou
Seguro a revolta que me ensinou
E pego nas malas feitas de estrelas
Que a magia da noite me impregnou
E caminho
Ignorando o destino
Sentindo a presença desse olhar
Que há muito me encontrou


No expoente máximo
Da saborosa gargalhada
Ou na dilacerante dor
Que faz a diferença
Entre a Paz
A guerra e o Amor
Eu sei quem sou
Eu sei quem sou


De um qualquer lugar
Nas palavras que se quebram
Nesta minha boca seca
Que eu quero molhar
Sorvo gotas de água
Pura e cristalina
E começo por acreditar
Em sonhos
Em contos de embalar
Talvez em alguns momentos
Já não seja eu
A escrever ou a falar

Talvez seja sim

O desígnio


Desse
Oculto Olhar ….

sábado, 15 de novembro de 2008

Passageiro do Tempo

Observo este homem sempre
Distanciado das normas
Que edificam e classificam
As manobras
Delineadas pelas simulações
Das estratégias globais


Chamo-lhe
O Passageiro do Tempo
Pois desde cedo
Perdeu o significado
E o afecto
Pelas suas raízes
Extorquido do seu
Espaço berço
Jamais
Afectivamente se ligou
A qualquer outro lugar


Não vive os lugares
Por onde passa
Somente passa
É um passageiro do tempo
Sente o cronómetro estalar
Para num qualquer dia
A contagem
Simplesmente parar



Há muito que deixou
De acreditar
Na “verdade” dos homens
Pois sabe que ela é manipulada
Pela convergência e tendência
Entre o egocentrismo
E metamorfose que eclode
No pântano do egoísmo


Distancia-se
Do império social e global
Da corrupção no gesto do favor
E do abraço simulado
Que bate no peito
Pois certamente
Na curva da história
Ele sabe que
A factura sempre se cobra
De qualquer jeito


Passageiro do Tempo
Homem estranho este
Cada vez mais
Distante e solitário
Pressente as intempéries
E trovoadas que se aproximam
Permanece assim observando
Decifrando os planos
Que se apresentam no mostruário


Quando olha o caminho
Que serpenteia
No encontro fatal com o futuro
Não sabe o que dizer
Pára
Espera
E embrulha o momento
No lenço do seu silencio


Passageiro do Tempo
A luz da sua juventude
Já não é mais a mesma
E ele conhece o peso
Da sua armadura
Mas mesmo assim
Longe
Distante
Ele pega na espada
E sente o arrepio
Da sua textura


O cronómetro
Continua marcando
Num ritual de ciclos
Que na sua Vida
Se vão abrindo e fechando
Mas ele permanece
Igual a si mesmo
Nunca se deixando converter
À doutrina inspirada
Pelo manancial dos gulosos




Como Eu

Compreendo


Esse


Homem ……









quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Feliz é o Pássaro ...


Frágil
Mas vivo
É como o pássaro
Na vertigem da descida
Sente o calor
Emergindo na galáxia
Das suas ideias
Fluindo


Mas o pássaro
Reconhece
Que o seu par
É merecedor
Das maiores belezas
Das maiores dádivas
Que o universo conhece


Feliz é o pássaro
Porque
Na alegria
Na louca diabrura
Na tristeza ou na doença
Ele nunca se esquece
Que o seu par
Lhe foi entregue
Pelas mãos de um Deus
Que conhece na realidade
Os confins e os labirintos
Dos roteiros da história


O pássaro ao seu par
Agradece por tudo
Pela devoção
Pelo Amor incondicional
Que ele carece
Pois isto não é de hoje
É de muitas
E já longas luas
Que esta história de Amor
Há muito acontece


O pássaro está frágil
Recuperando
Bebendo a água
Que a chuva deixou
Na curva da folha
Que ao céu se mostrou


Mas
Feliz é o pássaro

Por sentir

Todo esse

Terno e Carinhoso Amor

Que o seu par


Desde sempre


Lhe doou ....







terça-feira, 11 de novembro de 2008

Palavras ....


Na vertigem que chega
No arrepio contagiante
Da palavra sentida
Seduzida e escutada
Emerge um caldo
Com sabor
Difícil de traduzir
Pois é quente e aromático
O sentir cativante
Do seu vapor


Na mente rebelde
E libertina
De um autor
Cuja imaginação flui
Isenta de fronteiras
No explanar da sua criação
Evoluem cenários
Pigmentos de agridoce
Que tocam
Cordas vibratórias
Num lugar
De intimas partes vivas
Compostas por desejos
E sublimes energias


A palavra tem vida sim
Ela flui no braço de rio
Que a fazemos navegar
Remando na espuma
E nas correntes
Dos desejos e sonhos
Que sustentam
Os genes multicelulares
Da nossa inspiração


Entre as fronteiras
Pedaços perdidos
De terras de ninguém
Surgem cactos e arbustos
De flores rosácias
Que na sua sede
Absorvem regadios
Submersos

Que nascem distantes
Na textura dos dedos

De alguém ….





segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Apesar desta constipação ...


Num inicio de semana
Algo fragilizado
Pela surpresa inesperada
De um resfriado
Que nos deixou zonzos
Mas mesmo assim
No conforto
De um tranquilo
Fim de semana também


Ainda sinto
O entupimento
Deste entorpecimento
Que me deixa meio atordoado
Nesta retomada semanal
Sentindo já muitas saudades
Dos momentos carinhosos
Entre todos partilhados
Mas
Em especial
Com o meu Pimpão


Mas apesar de tudo
Guardei aqui bem
Na minha Alma
As delicias dos momentos
As brincadeiras
As ternuras
Que ficaram registadas
Aqui mesmo
No meu Coração


Hoje
Não é dia
Para muita elaboração
Hoje
É dia para
Puro sentimento
Para esta saudade
Minha sensação
Profunda emoção
Que me faz sorrir
Que me faz agradecer
Agradecer muito
Apesar desta constipação


Amo-Te

Adoro-Te

Meu Filho lindo

Minha Vida


Meu

Pimpão …..