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domingo, 30 de novembro de 2008

Talvez um Dia ....



São tantas as palavras
Que clamam
No fervilhar do caldo
De revoltas ideias
Mas está difícil desenrolar
Desatar o novelo
Que na planície do espírito
Pende com fios
Decompondo o enredo
De algumas teias


Não sei falar
Utilizando códigos e enigmas
Daí por vezes confronto-me
No pulsar térmico
Da minha subjectividade
Com a necessidade
De muito mais céu
De muito mais chão
Para poder
Fazer voar e correr
O vulto do meu espectro
Com muito mais liberdade


No elaborar dos significados
Que reflectem os quadros
De variáveis observações
Produtos inacabados e complexos
De viagens e reflexões
Dou por mim
Desbravando
Sobrevoando áreas
Zonas recônditas
Inóspitas
Glaciares
De sombreados azuis
Estreitos sombrios
De fluidos derramados


Poderei eu folhear
Descrever
Os sulcos e imagens
Que os pensamentos
Imprimem em tais caminhos ?


Pois
No espasmo do botão verde
Que se contorce de dores
No acto sequente
Do momento seguinte
Em que emerge
O nascimento da flor
Contem-se o movimento
Repensa-se o gesto
Enrola-se o subscrito
E guarda-se no baú do tempo
Como se fosse
Uma jóia de valor

Das coisas ditas
Tocam-se as mãos
Acarinham-se os gestos
Incendeiam-se corações
Elevam-se desejos
Dedilham-se acordes
Efeitos de alucinações

Das coisas não ditas
Projectam-se pontes
Arquitectam-se monumentos
Areias e pedras
Dos meus pensamentos
Cercados por paisagens desertas
Oásis perdidos
Guardados por mensageiros
Combatentes destemidos
Gladiadores de outros tormentos


Não sei
Como se mede a distancia
Entre o choro de uma árvore
E os vãos de lugares
Agora vazios
Onde se escutam
Arrepios e sons
Agudos e graves
Ecos
De inúmeras realidades

Tento assim assimilar

Compreender


Talvez um dia


Esses códigos

Decifrar …..



sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Murmúrios de Magia ....


O fundamento que resulta
Nestas travessias de mim
O que eu encontro
Está na forma
Como vou conseguindo
Libertar-me
Da influencia do ego

Essa sim
É a escalada
Agreste e titânica
Onde por vezes
O ar se mistura
Sabendo a enxofre
De origem vulcânica

Todos os dias
Observo-me
Nesse movimento abstracto
Esforço-me
Para que o lado
Mais elevado de mim
Tome o lugar do ego
Que em certo tempo
Se mostrava inflexível
E algo dominante

Nesta partilha
E nesta combustão interna
Dou graças
E boas vindas
Como ponto de partida
A este meu lado elevado
Pois é aí que reside
A essência genuína
Da minha construção

Sei que
Aceitar o ego como guia
É aceitar
O mais puro engano
É nesta ebulição
Entre o autentico
E a contradição
Que sinto ser esse
O maior desafio
Fazendo da verdade
Solidária companheira
Dos meus pensamentos
E o substrato real
Das ilacções da minha vida

Existe aquele vibrar
Um soar clandestino
Talvez
Um murmúrio divino
Aqui dentro de mim
Que me diz
Que esta passagem
Não termina nesta estação
Pois o mundano e o comum
Que encontro nesta vida
Jamais será
Alimento suficiente
Para uma parte maior de mim

O processo é contínuo
Certamente será eterno
No ajuste
Na correcção diária
Permitindo o afastamento
De ruídos poluídos
De inúmeras distorções

Na verdade
Muitas vezes
Aquilo que penso ser
O que mais preciso
Não é o que
A essência milagrosa
Na sua vertente pura
Me ensina

Os milagres operam-se
Por caminhos
Codificados e sinuosos
No fundo de mim mesmo
Eu sinto
Que existe um lugar
Onde tudo é possível
Pois a cada dia
Reconheço cada vez mais

Essa essência

Murmúrios de Magia …

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Vontade Premente ....


Sinto as vibrações
Que me chegam
No alvorecer de cada dia
Guardo em mim
Esta vontade premente
Viver de forma
Plena e simples
Tentando a cada passo
Encontrar a paz
Que elimine qualquer atrito
Que possa existir
Na ondulação
Do meu espaço

De entre tantas opções
Que podem confundir
O sentir
De algumas emoções
A cada dia que passa
Consciencializo-me
Que está nas minhas mãos
Decidir e escolher
Posturas
Gestos e afectos
Que definem a qualidade
Aqui e agora
Dos meus momentos

É nesta sinalização
Neste escutar permanente
Dos meus íntimos silêncios
Que encontro interiormente
Demandas do sagrado
Nos meus puros movimentos

Paz de espírito
Tranquilidade
Suave serenidade
Prazer intenso
Na expressão
No simples acto
No largar do meu sorriso
Significa viver
Na minha verdade
Fruto da minha busca
E assim estar
No ciclo verdadeiro
E em plena sintonia

Quero tocar
A plenitude

Quero desfrutar
A inspiração da serenidade

Quero sentir
A Paz da tranquilidade ….



quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Revelações Singulares ...


Neste vai e vem
De vincadas
E sublimes emoções
De arejadas
E simples constatações
Situo-me
Entre a vontade firme
De ser feliz
E a inclinação do desejo
De inspirar o sublime

São estas nuances
Onde se esgrimam
Ideais e nostalgias
Incertezas e razões
Experiencias e sintonias
Que se verificam erupções
Das minhas individuais melodias

Assim
No divagar difuso
Com que viajo
Na extensão infinita
Do meu espírito
Nesse correr momentâneo
Com que me encerro no vazio
Espaço obscuro do meu olhar
Deixo-me ir
No sabor aromático
De um cheiro suspenso
Que me devolve
Este sentido intenso
Que observo no queimar lento
De um simples e frágil
Pau de incenso

São estes factos
Ditos pequenos
Mas intensos
Que me fazem crer
Que as essências nobres
Existem nas simples
Por vezes
Aparentemente pobres
Mas na verdade são
Revelações singulares
Que posso sentir
E com estes meus olhos
Saborosamente
Captar e ver

Gosto dos dias amenos
Adoro as noites de luar
Peço um desejo no cruzar
De uma estrela cadente

Acredito em sinais
Que me chegam

Do firmamento ….




terça-feira, 25 de novembro de 2008

Minhas Premissas


Simplificar
É o discernimento
Mais sábio e importante
Que tento preservar
Em todos os capítulos
Da minha vida

Simplificar significa
reciclar ou eliminar
todos os factores e elementos
que possam
Em mim causar
Atritos e preocupações
Ruídos desnecessários
Fontes de constrangimentos
que minam
E dificultam consideravelmente
O prazer
E o desfrute da harmonia
Das minhas noites
E dos meus dias


Esvaziar
O Espírito e a Mente
De pensamentos
Cujas sementes provêm
Da conflitualidade
Entre a minha individual vontade
E a crua realidade
Significa obter
Um discernimento superior
Adubo de sensatez
Poupando-me assim
A internos confrontos
E corrosivos conflitos


O ontem já aconteceu
O amanhã não passa
De uma simples conjectura
No universo efervescente
Das possibilidades
O hoje
O presente
É tudo o que eu tenho
Na força do agora
No ranger deste meu tempo
Que roça a simples fragrância
Essa essência frágil
Deste instante momento


Conjecturas
Incógnitas
Possibilidades
Passadas e futuras
Nada mais são que
Processos de erosão
Falsos fundamentos
Que podem promover
O surgimento
De internos conflitos
E incapacitantes rupturas


Simplificar
Esvaziar
Reflectir
Meditar

Contemplar a beleza
E reciclar os elementos

São premissas fundamentais

Que hoje alimentam
E transformam

As paisagens que registo

No horizone abrangente

Do Meu Olhar …..


segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Princesa Minha ...


Recordo aqueles tempos
Em que éramos
Livres e soltos
Verdes rebentos
Na áurea da vida
Na crista dos dias
Na espuma das ondas
E na ânsia desmedida
Com que vencíamos
A ausência do outro
No tempero da saudade
Do coração
Da alma e do corpo
Que matávamos
Nos nossos refúgios
Oásis
Nas noites e dias

Recordo aqueles tempos
No cheiro das madrugadas
Nas chegadas
Nas idas e voltas
Imensas viagens
Buscando
O auge dos momentos
Mãos dadas
Nossos caminhos
De juras e sentimentos

Hoje
Sabemos
Os caminhos
Que juntos fizemos
Nossa epopeia
Nossa odisseia
Única
Sem igual
Que só nós desbravamos
E assim evoluímos e crescemos

Continuas sempre tu
Jovial
Linda
Bela
Terna
Textura aveludada
Mulher
Há muito eleita
Princesa minha


Hoje Princesa
Estamos de Parabéns
Por aquilo que somos
Por seres tu quem és
No traçado desta viagem
Manancial de histórias
Que juntos fizemos
Que hoje continuamos
Sempre iguais
De mãos dadas
Pelos caminhos que
Até aqui percorremos
Sempre
Passo a passo
Tranquilamente
Com os nossos pés

A maioria acha
Que os humanos são
Um corpo com alma
Eu sei que nós somos
Duas Almas cúmplices
Viciadas no Amor
E nas loucuras
Que partilham e habitam
O meu corpo e o teu

Amo-Te
Mulher Única
Princesa Minha


Hoje
Amanhã

E Sempre ….




domingo, 23 de novembro de 2008

Este Meu Rio ....

Entre a minha paz
E a naturalidade dos factos
Que circundam a paisagem
Dos meus lugares
Resta-me a clareza
Da água cristalina
Que ao longo destes tempos
Correm no riacho que desviei
E que regam subtilmente
Os canteiros do meu jardim


Nada que não mereça
O perdão dos deuses
Nada que seja fatal
Na comissão dos juízes
Pois na verdade se
O meu pecado
É ser quem sou
Descartar o vazio
No olhar que dou
Provocar o sorriso
No entrelaçar da sílaba
Reflectindo
Códigos de pensamento
Que registam imagens
Que na tela de um céu
A tinta manchou


Mas que interessa isso agora
Habito a ilha deserta
Lá por vezes
Só o meu sonho desperta
Entre o fustigar das chuvas
E a realidade dos indicadores
Que marcam o compasso
Entre as noites e os dias
É junto do clã que procuro
O desvendar
De muitas magias


A cada passo
Esqueço a dor da picada
Que o insecto
Me deu no braço
O sentido vai seguindo
A órbita do destino
Em cada estação
Uma nova pausa
O sentir de uma brisa
O respirar de uma aragem
Observando as luzes
Na outra margem
Deste meu rio
Que vive nas sequências
Influências da lua
Umas vezes cheio
Outras vazio
Alagando campos
Criando erosões
Possibilitando até soluções
À sua passagem


É assim
Quanto mais este meu rio
Se aproxima do mar
Mais estou eu sujeito
Ao fluxo e refluxo

Dos ventos e tempestades

Que chegam
Na força das marés ….