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terça-feira, 30 de setembro de 2008

Não Esperes ....


Faltam-me palavras
Que abafem o rugido
Desta frequência sísmica
Ainda não sei bem
O que dizer
Sinto réplicas subtis
Que espicaçam o meu Ser


Preciso reencontrar em mim
O sal da minha serenidade
Acalmar a ferocidade
Estabilizar a minha realidade


Estou entre a planície
Da erosão
E a sombra da ficção
Estou testando
A minha assimilação
Estou mais distanciado
De qualquer perfeição


Estou na minha recuperação
Sinto ainda
O fumegar da combustão
Procuro na respiração
O retorno da tranquilidade
Da minha comunicação


Mais do que nunca
Necessito do teu sabor
Da saliva da tua boca
Do cheiro do teu beijo
Do fervilhar do teu corpo
Na loucura
Do meu desejo


Quero viajar no teu relevo
Quero beber os fluidos
Dos teus cantos
Visitar os teus labirintos
Quero mergulhar fundo
Na decadência
Dos meus selvagens
Instintos


Necessito
Que me afagues
Esta dor

Não esperes

Apaga-me já
Esta dor

Com o vapor


Do teu Corpo quente


E do teu

Calor …..







Luis Sousa

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Dura Ventania


Hoje choquei
Com o céu pardo
Fiquei por instantes
Anestesiado


Anestesiado
Por ventura será
A dura ventania
Que abala
A asa da cotovia


Hoje
Olhei em redor
E no sabor amargo
Decifrei
O plano infestado
Que o tempo esconde
Debaixo de um monte
Atrás da ponte



Talvez esteja escrito
Algures
Num velho registo
As frases de um velho sábio
Que na curva de um dia
Perdeu o lábio


Hoje
Não era dia

Hoje
Ditou uma outra via

Um dia

Neste ou noutro dia ….








Luis Sousa

Sentimentos






Sentimentos

Potenciais detonadores
Que explodem mares de condimentos
Que exalam aromas de felicidade
E se misturam com dores e lamentos


Sentimentos
Que alimentam o poder da expressão
Que envolve o ritmo e a aura do coração
E traduzem-se por zonas irregulares
Ausentes de espaço e dimensão


Perversa a dualidade
Contudo liberto a hipótese
De Alma avessa
Que vive para além
Da substancia espessa
Dos quadrantes acertados
E formatos estabelecidos
Flutuando
Vagueando
Nos confins das possibilidades
Das realidades pulverizadas
Por demais assimetrias


Com certeza porém
O magma que a contém
Deriva de uma equação não química
Produto de uma solução anímica
Que as palavras ainda não explicam
Poderá contudo
Ser uma opção também
Decifrar o espectro nela contida
Usando talvez a capacidade interpretativa
Desvalorizando neste contexto
A comunicação mímica


Por vários lugares visitados
Partilhando flores e rosas
Criaram-se regados gestos sublimes
Embrulhados em papel fantasiado
No conforto das mais belas prosas
Escolheram-se singelas
Pequenas
Mas coisas valiosas



Partilha sim uma febre
Talvez sim
Fervilhante e escandalosa
Que vive para além
Das margens do comum entendimento
Num lugar criativo não definido
De cores transparentes
Onde os pigmentos
São ideias munidas de pensamentos
Envoltos em intangíveis sentimentos



Esse desejo interminável
Que entre os dedos
Exaltam linguagens mudas
São como vagas de mar
Que vão e vêm
Deixando nos olhos que olham
Uma película
De aveludados sedimentos


A Alma sente assim
A linguagem do vento
Que chega de qualquer lado
De cima ou de frente
Escuta o murmúrio das vozes
O segredo das coisas
Que definem a espessura
Dos motivos que guardam em silencio


As palavras ficam
Canalizam
Conduzem
São veículos metafóricos
São expressões de tudo
De sentimentos e emoções
Independentes da cor
De qualquer resguardado véu

Fazem sentir os ecos

Das Estrelas que brilham


No firmamento
Sensível

De


Um qualquer Céu ….





Luis Sousa

sábado, 27 de setembro de 2008

O Meu Mundo ....


Vivo num mundo meu
Longe de qualquer máscara
E de simulações
Pausas
Avanços e contracções
Pois neste meu mundo
Sou Eu
Aqui no Coração ao todo
Somos poucos ou quase nenhuns


Neste meu mundo
Não existe o hábito do rebanho
Aqui fundamental é o banho
Banho de Orientação
Na pele
Na carne
Na Alma
Um banho de Orientação interior
De todo o tamanho


Neste mundo meu
As dores
As lágrimas
As lutas
Os combates
Já não têm conta
Foram e são
Jornadas que em iluminação
Conhecimento e aprendizagem
A minha Vida
Em cada momento
Sábiamente desmonta



Neste meu mundo
As Escrituras da Vida
São interpretadas
São lidas
De outras perspectivas
São descodificadas
De acordo com
As realidades subtraídas
Pois aqui ficou decidido
Em tempo útil
Que as relações
Quaisquer que elas sejam
Não vivem de quaisquer expectativas


Neste meu mundo
Quem vem por bem
Na base da verdade
E da sinceridade
Tem entrada livre
Em plena cordialidade
Pois assim se abre o portal
Da múltipla partilha
E da Amizade




Aqui neste mundo meu
Depois de tantas lições
Um dia marquei no relógio
O código de uma Luz
E algo em mim definiu o alinhamento
Da força que me conduz
Nessa Força
Nessa Luz
Encontrei a verdadeira consistência
Da minha Independência
Em plena Consciência
Da minha Liberdade


O Ser humano normalmente está atento
Para não ser enganado pelo próximo
Mas chega um dia
Fruto da sua filosofia
Adubo da sua viagem
Valorizada pelo peso da sua bagagem
Cada vez mais consistente
E cada vez mais independente

Em que começa a estar atento



Para não ser ele

A enganar o seu semelhante …..







Luis Sousa

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Dentro de um Sonho


Na chegada da madrugada
Senti a brisa de um sonho
Mergulhado no movimento
De um agitado sono
Fluiu um espasmo de fantasia
Julgo até que sorri
Perante a vibração de tal Magia


Vivo na realidade
De cada dia
E na vastidão
Da uma infinita alquimia
Sento-me na pedra do chão
Deixo-me levar pela vastidão
Viajo pelas nuvens
Que parecem feitas de algodão
Inclino-me
Para os elementos temáticos
Deixo-me invadir
Por fluidos aromáticos


Nasci num clima tropical
Mas prefiro a temperatura amena
Sou mais contemplativo
Introspectivo
Sou mais Outono
Mas adoro as cores vivas
A luz e os brilhos
Por isso tão bem sinto
A essência e a Alma
Da sensível Primavera


Não fujo da realidade
Mas sou um elemento
Dentro de um sonho
Na estrada dos sentidos
Estendo-me na cumplicidade
Sou amante do não comum
Aprecio as delicias
E a nobreza da integridade


Dentro de um Sonho
Embriago-me no sensorial
E dispo-me de tudo
O que penso e disponho
Sou intenção sem certeza
Sou desejo na pureza
Sou chama que apaga
Porventura
Alguma tristeza


Dentro de um Sonho
Estico a mão
Sou tocado por estrelas
Que invadem
O meu Coração


Desejo assim
A felicidade


Em perfeita sintonia

E

Elevação …..






Luis Sousa

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

PAZ ...


Tenho uma paixão profunda e intensa
pelo universo das Palavras ….

Encontro um fascínio indescritível ,
na fluidez da sua plasticidade,
e na projecção dos cenários pictóricos,
que as suas ilimitadas interacções e composições,
nos seus variadíssimos níveis, nos oferecem …


Há dias, numa das minhas caminhadas solitárias ,
e embrenhado na sequência dos meus pensamentos ,
surgiu-me esta pergunta :
… neste mundo rico e ilimitado da linguagem e das Palavras ,
qual a Palavra que considero mais importante ?


O local era calmo e tranquilo, o cenário inspirador ,
sentei-me no chão, e saborosamente deixei os pensamentos
fluírem em total e completa liberdade,
em plena sintonia com a magia do lugar ….


Várias foram as Palavras que me foram chegando ,
e todas elas ,
com um valor intrínseco e subjectivo elevadíssimo,
mas de todas elas, e depois de tranquilamente meditar,
escolhi esta Palavra : PAZ

E porquê ?


Porque numa primeira abordagem ,
e numa inicial observação,
o conceito implícito na palavra PAZ ,
é a aspiração máxima
na inter relação entre os Povos do mundo ,
promotora essencial na existência e na consolidação ,
das necessidades primárias do ser humano ,
tais como a assistência na saúde , alimentação,
habitação e educação ….


Num outra vertente mais subjectiva ,
cuja divagação é absolutamente convidativa,
posso acrescentar que, quando estamos em PAZ,
encontramos a tranquilidade plena do nosso Espírito ,
essa base inspiradora que nos concede todas as
possibilidades de sonho e de criação ….


Quando estamos em PAZ
com a profundidade do nosso Ser ,
estamos conectados à nossa Fonte superior ,
ficamos assim disponíveis para a bondade ,
cultivando a serenidade e a compaixão,
estamos por isso então vocacionados
a formas assertivas de interpretação ,
podendo assim haver um maior sentido
na clarividência das nossas virtudes,
e nobres qualidades ….


Em PAZ com os nossos pensamentos ,
libertamos a nossa Mente ,
para a contemplação das belezas
que nos rodeiam , desfrutamos em pleno
a companhia dos outros , e revitalizamos
o potencial latente de cura e protecção,
que reside no nosso corpo …


Em PAZ com os nossos sentimentos,
aprendemos aos poucos, a abdicar do veneno
do nosso Ego, e criamos com serenidade,
os elementos protectores
que gerem as nossas emoções ….


Envolvidos pelo véu da PAZ ,
descodificamos as baixas energias que nos cercam ,
sentimo-nos inspirados pelas mais pequenas coisas ,
e desenvolvemos uma capacidade criativa sem limites ….


Mergulhados no sentimento de PAZ ,
desfrutamos da plenitude do Amor ,
valorizamos o Companheirismo amante e amigo,
vibramos intensamente
com a multiplicidade do prazer do sexo,
e sentimos que Vida existe para além do medo ,
da ansiedade ,da pressão e dos problemas ….



Por tudo isso
E muito mais


Eu escolhi

A Palavra


PAZ ….






Luis Sousa

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Desabafo ....


Após sinais de fúria
No meu gesto
Consequências de
Reflexos de uma revolta
Na constatação
De mais uma ausência
De lucidez e de bom senso
Situação que por vezes se acerca
Fazendo com que a entrega
Se desvaneça e se perca


Se por um lado a força se faz
Na intenção para que tudo melhora
Por outro chega a displicência
Na calha da complacência
Que tantas atenções e regras ignora


O valor está sempre na acção
Na lógica da prevenção
Porque quem olha para mais distante
Tem a noção
Do quanto é indispensável
Evitar as consequências
De um qualquer eminente escaldão


Quem vê perto
Não sabe sequer
A diferença da noção
Pois prudência e ponderação
Não estão presentes
No movimento do pensamento
Que exerce a sua observação


Na realidade
É minha grande dificuldade
Na aceitação deste tipo de situação
Pois se tenho um lado meu
Onde o mundo abstracto é ligação directa
Ao apelo da minha criação
Tenho um outro lado prático e pragmático
Que se aplica ao lado mundano do dia a dia
Na aplicação de linhas mestras
E na defesa de regras que protejam
O bem estar e a segurança
De todos e de alguém


A mim mesmo me ponho a questão
O que fazer perante a displicência
E a inconsciente complacência ?

Tomar uma posição
Levantar voz
Confrontar
E exigir sobre a situação
Uma maior atenção ?

Ou então
Na preservação da minha harmonia
Da minha tranquilidade
Esvaziar-me de responsabilidade
E ausentar-me de uma parte da realidade ?



Quero-me preservar
Pois é por demais importante
Distanciar-me do mundo das tensões
Mas não sou homem para me ausentar de algo
Quando em mim sinto pulsar
Uma importante responsabilidade

Ora aqui está
Uma grande dualidade ….


Reconheço em certas situações
O meu baixo grau de tolerância
Mais ainda quando
A displicência e complacência
Se tornam frequentes
Pois cada pessoa
É um Ser individual e pensante
Isso só pode significar
Mais responsabilidade na atenção
E um apelo maior à coerência actuante


Procuro o Caminho da minha Paz
Busco o traçado da minha Tranquilidade
Daí
O pleno reconhecimento
De que a aprendizagem será sempre infinita
E eu sou e serei sempre
Um humilde mero aprendiz
Na generalidade da substancia
Principalmente na essência
Da aceitação e da tolerância
Perante o que me vai acontecendo
E por tudo
O que o Universo me diz



Desculpem-me
O gatilho deste espartilho
A fazer eco neste espaço


Mas isto hoje

Nada mais é que


Um simples

Desabafo ….







Luis Sousa