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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

A Vida e o Tempo ....







Nos últimos tempos
Tem existido
Entre mim e o tempo
Um conflito tremendo
De confronto e sofrimento



Conflito esse
Que me tem feito
Pensar muito
Na procura
De um jeito qualquer
Para tudo reciclar
Na sábia paciência
Parar e reflectir
E assim no apuramento
Esta minha relação
Com o chamado tempo
Algo poder melhorar


Desde sempre
Que sinto o tempo
Como um espaço onde
Tudo acontece
Pequenos e grandes eventos
Que inspiram e compõem
As composições
Melódicas da vida
E assim por vezes
Perco as notas e os tons
Que fazem os sustenidos
De uma qualquer descida
Ou uma abençoada subida


Este confronto titânico
Entre mim e o tempo
Tem sido agreste
Agressivo e tirânico
Pois não me quero submeter
Quero sim
Gozar e saborear
Os momentos que mais preciso
Mas que fatidicamente
Num ápice se esfumam
Num regresso às obrigações
Às exigências constantes
Das padronizações
Num tempo este
De mórbidas
E insanas competições
Onde tudo vale
Para que se alcance
O que a manada considera ser
Suas legitimas
E ambicionadas aspirações


Tento equilibrar
Tento melhorar
Esta atribulada relação
Entre mim e tudo isto
As convulsões indirectas
E o imutável tempo
Vivendo e saboreando
Sempre que posso
No invólucro da intimidade
Cada nosso momento
Esquecendo
Por algum tempo
Esse mundo exterior
Que reside perto
E longe de nós


Estou nascendo e aprendendo
Pois na vida não há nunca
Aquele tempo que se deixa
De algo aprender
Porque quer seja fora
Ou dentro de nós mesmos
Existem sempre coisas
A acontecer
Daí estou reaprendendo que
O tempo não tem culpa não
Sou eu mesmo que
Na poeira desta sinuosa estrada
Me esqueci
De que cada tempo
É tempo para cada momento



Nesta viagem
Atribulada e sofrida
Entre mim e o tempo


Quero muito muito
Quero tanto tanto
Que cada vez que estou
Em nosso mundo contigo


Esse rio de caudal imenso
Partículas fluidas
Da leveza do tempo


Passe por nós


Cada vez mais terno
Como uma leve brisa de vento


Cada vez mais
Compreensivo


E acima de tudo



Cada Vez Mais Lento ….















sábado, 28 de novembro de 2009

Ao Teu Lado ...







Sim eu sou
Cavaleiro andante
Neste rodapé mutante
Onde quase tudo
É fosco e ondulante
Numa febre enganadora
Que ausente de essência
Quase tudo nos empurra
Para um lugar bem distante



Sim sou
Um permanente caminhante
Que de certa forma procura
Dentro de um certo contexto
Um lugar de brilho constante
Algo que humildemente
Possa ter um brilho
Parecido com um diamante



Mas longe de tudo isso
Desse mundo exterior
É ao teu lado
Que percorro esta travessia
Sempre homenageado
No aconchego quente
Desse teu Amor sem medida
Que me dá força e inspira
Lugares perfumados esses
Que me trazem pausadamente
Uma tão necessária acalmia



Nesta cambiante genérica
Que faz gerar o movimento
Desta multipercepção ondular
Lanço tentáculos imaginários
Na busca de espaços de harmonia
Nestas cadencias
Tão difíceis de conjugar
Pois o mundo lá fora
É tão parco de verdade e sintonia



Mas tu sabes
Quem sou eu
Permanente cavaleiro andante
Neste mundo tão inconstante
Onde o valor dos homens
É tão efémero e mutante
Num ciclo vicioso
Cujo espasmo é transbordante



Mas nada isso importa
Porque eu tenho-te a ti
Mulher única
De todos os momentos
Que me preenche de Amor
Atenuando algumas dores
Numa devoção terna
Que por vezes
Tanto me emociona



O tempo voa
Sem nos darmos conta


Quase tudo lá fora
Se altera
Mal nasce e desponta


Já não questiono
O padronizado
O igual formatado
Porque já me cansei
De perante tantos factos
Fazer velhas perguntas


O que eu quero

É sentir e viver
Este nosso mundo


Pois para mim isso



Mais do que
Qualquer outra coisa



É o que



Verdadeiramente Conta ….






















domingo, 22 de novembro de 2009

Este Nosso Amor ...
















Digo obrigado
Ao estrelado deste Céu
Ao azul do Mar
Ao dia de sol ameno
Que faz a minha alma
Voar
Sentir o prazer
De Ser e serenar


Agradeço
Aos sinais da terra
Aos deuses do universo
À luz que me ilumina
Portadora de inspiração
Que me alimenta
De sentidos e palavras
Que me fazem viajar
Na construção deste verso


Digo obrigado a tudo isso
A este Amor maduro
De alicerce raro
Argamassa e sedimento único
Nascido há tanto tempo
Numa esquina fatal
Que fez a curva
Do embate frontal
Completo e total
Rastilho da magia
Do nosso Encontro
E que neste tempo todo
Até hoje decorrido
Fez deste sempre continuado
A cada dia partilhado
Singular Amor
Um abençoado e Sagrado
Nosso mútuo feitiço


Em cada nosso beijo
Está a verdade intrínseca
Com que construímos
Cada retalho
Cada olhar pelas paisagens
Do nosso pequeno mundo
E que na rotina dura da vida
Sabemos recuar
Observar e reconquistar
Pedaços
Da nossa vontade mútua
De sermos quem somos
Para assim
Em cada escalada
No nosso pacto de união
Cada obstáculo vencer


Tal como diz a musica
“Leva os meus braços
E esconde-te em mim “
Para que
Em qualquer lugar
Próximo ou distante
Que estejas sem mim
Possas me ter sempre
Presente em ti


Dizer-te que Te Amo
Já é pouco para mim
Porque o Amor
Que sinto por ti
Já não é só Amor
É cada instante
Cada respirar
Cada acordar
Neste nosso lugar
É cada momento que vivo
Cada saudade
No mais comum dos gestos
Pois tu existes em tudo
Nas decisões que tomo
Nas opções que faço
Nas mãos dadas
Nos passeios
Que faço contigo
Que faz esta nossa vida
Ser assim



Mas eu digo-te sim
Amo-te
Amo-te
Amo-te tanto sim
Porque
Tens sido sempre
Tudo para mim
Num Amor completo
Feito
Moldado
Em permanência reconstruído
Numa troca de diálogo
Que acontece
Neste só nosso dialecto



Que nesta data de referência
Que a verdade e o simbolismo marca
Que traduz a nossa essência
E assim reflecte
A nossa cumplicidade
E a nossa dedicação e força


Guardemos então em nós
O sorriso profundo
Pleno de sentido
Na certeza borbulhante e viva
Da escolha absolutamente certa
Que juntos fizemos
Naquele longínquo dia
Confirmando que
Neste nosso pequeno mundo
Em que tudo o que
Aqui existe
É nossa justa e mútua pertença



E assim sendo

Não existe nada


Absolutamente nada


Que este
Nosso Amor


Na infinidade do universo



Não Vença …











quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Conexão ...







Nestes dias
Em que me sinto
Mais ilhéu
Desta minha ilha
Onde a equação
A cada esquina desponta
E outros factores
Que do nada emergem
Me vou dando conta


Volto
E aconchego-me
No calor dos teus braços
Deixando-me ficar
Nessa sensação real
Em que vivo
Repartido
Fraccionado e dividido
Dentro de mim mesmo
Nesta dimensão parcelar
Quase circular
De várias vidas e expressões
Que existem
Em múltiplos espaços



Nesta areia branca
Cujo mar imenso
Esta ilha banha e cerca
Reconheço que
Tudo o que a circunda
Em algo me afecta
Tudo o que aqui chega
Desenvolve um qualquer efeito
Que na textura aveludada
Da tua pele
No sabor molhado
Da tua boca
No cheiro singular
Do teu corpo
Procuro eu o consolo esperado
A dose imaginada e certa
De um momento alquímico
Que de tudo isso
Me concerta



Sinto o travo
Da lenta transformação
Numa qualquer observação
Num pensamento
Que deixo ir em vão
Na pele da minha mão
Nos cumes e nos vales
Da nossa conexão



Sinto por vezes
A chegada
De mais uma realidade
Nos traços e riscos
De mais uma revelação
Que na consideração reflectida
Se revê o valor único
Insubstituível
Deste simples nosso lugar


Esse lugar está baptizado
Com sentidos
Essências e resíduos
De palavras escolhidas
Valorizadas
Que vão dando sentido
A cada canto
A cada janela
Por onde se vê a paisagem
Criando poder e prazer
Através dela



Cada vez mais
Se faz necessário
Olhar esse mar
Que nesta ilha nos cerca
Prestando atenção
A cada detalhe
A cada ténue sinal
Para que nessa tentativa
Pouco ou nada se perca



Na leveza da inconsciência
Mas cada vez mais
Na consciência
Se vai entendendo
Melhor compreendendo
Aprendendo
Que nada é meu
Nada é teu
Nada nos pertence
E no contexto
Da multipla obra construída
O mais importante
É o reconhecimento
De quem na verdade se é



Tenho esse prazer
De degustar
Com o meu olhar
As curvas do teu corpo
O desenho da tua boca
E a beleza do teu pé


Mas eu sou assim mesmo
Algo viajante e louco
No desejo e no pensamento
Perdido por vezes
Nas estrelas invisíveis
Do meu firmamento


Mas tu sabes


Que eu existo sim
Aqui assim


Sempre presente


Sempre

Sempre



Em cada Sagrado


Eterno
Nosso Momento ….











domingo, 15 de novembro de 2009

Verdade Oculta ...






















Jogou no inicio da década
Em Portugal
Num clube rival do meu
E pelo que ouvi
Dedicou-se sempre
À protecção
Dos animais abandonados
E a outras acções sociais


Estava agora
No seu auge profissional
Estando certo que
Representaria a selecção alemã
No próximo mundial


Quando sabemos que alguém parte
Deste mundo dos “vivos”
Por doença ou por acidente
Certamente lamentamos


Mas quando sabemos que
Alguém parte
Por decisão própria
Aos 32 anos de idade
No auge da sua carreira
Somos como que arrebatados
Da nossa rotina
Abanados
Acordados em choque
Das nossas mundanas vidas
E assim forçados
A reconhecer a complexidade
E a fragilidade
Desses supostos laços
Que julgamos serem eternos
Indestrutíveis
E que nos ligam às pequenas janelas
Deste nosso pequeno mundo


Posso dizer que
Durante a ultima semana
Apesar de uma vida profissional
Intensa e exigente
Desde o fatídico dia de terça –feira
10 de Novembro de 2009
Numa qualquer esquina do dia
Ou da noite
Na confusão do transito
Ou no regresso a casa
Sentia sempre algo estranho
Sabor amargo perturbador
Ácido corrosivo desse choque
Ao escutar comentários noticiosos
Sobre esse Senhor Robert Enke
Que na tarde (19 h ) desse dia
Se havia suicidado
Deixando-se atropelar
Por um comboio



Na depressão invisível
Que se esconde na face
E na verdade oculta
Que habita os bastidores
De um qualquer rosto humano
Seja ele ou não
Determinado e sereno
De um qualquer simples homem
Por vezes
Existem tormentos mudos
No seu interior complexo
Não verbalizados
Que se derramam lentamente
Nos montes e vales
Sulcos do tempo
Relevos da uma alma vincada
E que em certo dia
Desaguam no leito surdo
De uma já decisão tomada



Perante factos como este
Que nos invadem de dúvidas
Provocando inúmeras interrogações
Bloqueiam e degradam algumas
Das brisas suaves
Que ainda habitam a nossa alma
E o porquê das coisas
Esvai-se no seu relativo valor
Tal como a eventual
Força do amor
O prazer e o alívio
Encontrado no sexo
O elo das relações familiares
E as conexões exteriores
Que sabemos tantas vezes
Não fazerem qualquer nexo
E dentro dessa utopia
Que queremos tanto viver e sonhar
Espumas das ondas deste imenso mar
Onde por vezes duvidamos
Se realmente
Sabemos ou não nele navegar



É esta imagem verdadeira
Que se insurge por vezes
Sentindo
Que ela existe oculta
Escondida e entranhada em nós
Nas pessoas que conhecemos
Em alguns dos rostos anónimos
Com que nos cruzamos
Nas almas mais verdadeiras
Mais justas e sensíveis
Que na assimetria decadente
Das incongruências impostas
Se recusam a continuar a luta
Assumindo a decisão deste ultimo gesto




Reconheço que
Tudo gira e orbita na relatividade
E na subjectividade dos elementos
E que por ventura
Nada sabemos da vida
Nada sabemos
Do antangonismo das coisas
Que nos acompanham
Na orla marginal das nossas vidas
Como que
Precisassem ser amadurecidas
Para que aos nossos olhos
Os valores materiais
Os actos superficiais
Os prazeres da vida
O amor dedicado a alguém
Uma carreira vocacional
Guia da nossa estrela solar
Façam na verdade algum sentido



No choque
Dessa infeliz noticia


Cuja dor em mim ficou
Por alguém
Que pessoalmente não conheci
Mas que na tela televisiva
No verde vivo do relvado
Inúmeras vezes o vi


Obrigou-me assim
A esta tentativa de equação



Cuja angustia acontece
Numa tão indefinida emoção



Que ao longo destes dias


Por vezes


Tem sido visita imprevisível

Resultado esse
Desta Minha Reflexão …








quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Similares Acústicos ...







A capacidade de sentir
Mesmo quando
Não se vê
Essa sensibilidade que desperta
Interruptor ignição
Da Luz da intuição
Que acende o filamento
Do pressentimento
E outras coisas mais
Ocultos factos e sons
Similares acústicos
Precursão de metais
Onde no mundo do comum
Muitas vezes
Se apelidam de anormais


Estou a falar
De algo parecido com
Formas de viver
Dentro de um véu
Cuja seda
Tem a magia de um poder
Não se sabendo
Onde paira a fronteira
Entre a possível vantagem
E o reconhecimento
De que entre
O meio e a periferia
Da dor e do prazer
Está aquele espaço vazio
Que por vezes
Faz da essência das coisas
Uma tentadora miragem



Será que alguém entende
Sei que sim
Que não são poucos
Os que de certa forma
Na sua subjectividade
Na pessoal relatividade
Conseguem segurar
Com suas mãos
Os mesmos dados
Que ao serem lançados
Ditam rumos
Caminhos próximos
Ecos distantes
Codificados
Por sinais de fumos



O que importa mesmo
É manter a essência do ser
Ancorando nesse permanecer
De uma renovada sinergia
Onde o propósito da relação
Entre a obrigação da exigência
Plano profissional
Plano social
E tantas outras obrigações que tal
E a compreensão
Da pura e fundamental existência
Sejam nesse contexto entendidas
Verdadeiramente compreendidas


Para que


Nesse equilíbrio sustentado


A combustão


Desse



Tão Necessário Poder



Seja de facto gerado ….


















domingo, 8 de novembro de 2009

Caminhos Coloridos ...











No enredo destes diálogos
Com que aqui te falo
Na minha presença
Me respondes sempre
De tantas
E variadas maneiras
Acontecendo que
Por vezes
Nesta troca
De sentidos
Toques
Afagos
Sussurros e palavras
Nós os dois nos entregamos
E assim
Perdemos as estribeiras


Impossível controlar
Vagas poderosas essas
Que parecem vir
Lá longe do mar
Deixando-nos
Neste estado
Em que
Nada mais existe
Para além desta magia
Energia pura
Que nos invade
Coabita
E de forma cúmplice
Em nós persiste


Mas sabes
Nestes pedaços de letras
Gosto também
De falar-te
De paisagens
Caminhos coloridos
E miragens
De cores neutras
Onde a relação das coisas
É translúcida
Viva
Subtil
Sincronizada e perceptiva


São fragmentos
Que orbitam luas
Que fazem parte
Dos nossos mundos
São moléculas reluzentes
Que integram átomos
Das nossas células


Por isso
Cada sílaba
Que te deixo
É pedaço também de mim
Que aleatoriamente lanço
Por esta janela
À imensidão do universo
Sem medo
Da essência ousada
Ingrediente da composição
E sem receio
Do peso acentuado
Que pode provocar o desequilíbrio
Vertical do eixo



Tudo faz parte
Das gotas em formação
Vapor e condensação
Que espalham a bruma
Lugar esse misterioso
Diria que Sagrado
Onde encontro
O fole
Do imaginado instrumento
Que Insufla
De puro ar
A minha inspiração


Tudo faz parte
Desta alquimia
Entre elementos naturais
Místicos e ancestrais
Que determinam
A química
Desta múltipla conexão




Sim
Na verdade



Tudo faz parte


Deste enredo sublime


Potenciado e íngreme



Que cria
Novas visões


Novas paisagens


Permanentemente

Sempre



Em



Contínua Evolução …