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quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Descobrir a Mansão


A maior parte de nós
Vive limitado pelas
Condições emocionais
Que nos afectam

Parece que estamos
Sempre pendentes
Dos acontecimentos
Gerados pelos outros
Que acabam por nos confundir
E mergulhar tantas vezes
No oceano profundo
Do nosso sofrimento
E da nossa dor


Estamos habituados
E em grande parte
Resignados às fronteiras
Da consciência humana
Que normalmente conhecemos


Mas a verdade é que
A consciência humana
É como uma grande mansão
Ou uma grande casa
Com imensos quartos
E normalmente
Ao longo da vida
Ficamo-nos somente
Pelo domínio do quarto
Onde nascemos
Imbuídos dos seus limites
E das suas fronteiras


Por vezes
Tentamos sair desse quarto
Na intenção de acedermos
E passearmo-nos
Pelo resto da mansão
Empurrando a porta pesada
E blindada
Mas
Ela não se move


Na realidade
Para abrirmos essa porta
Antes mais teremos que
Rodar o seu manipulo
Interiormente
Para conseguirmos mover
E abrir a porta
Para uma consciência
Mais elevada do nosso Ser


Nessa atitude
Está subjacente que
Não será mais necessário ficar
No quarto
Dessa consciência primária
E quando tal acontece
Concluímos que
A direcção a tomar
É outra


Ao reconhecermos que
A direcção a tomar
É outra
Tomamos a decisão
De que podemos ser livres
Destas condicionantes
Que tantas vezes
Nos atormentam
De forma tão violenta


Sim
Podemos ser livres
Porque a liberdade
Que observamos
Está no poder instalado e
Na capacidade que dispomos
Em deixar o quarto da consciência
Onde sempre permanecemos
Desde que nascemos


Nesse quarto
Que tão bem
Já conhecemos
Aprendemos a lidar
Com os limites
Existentes na nossa vida


Ao descobrirmos
A imensidão
E particularidades
Dos inúmeros quartos
Existentes na mansão
Da consciência humana

Aprendemos que

A nossa Vida
Pode ter outros horizontes

Outras Fontes
De Aprendizagem
E Conhecimento


E assim sendo


Tem Possibilidades


Ilimitadas ……






Luis Sousa

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Total e Plena ....


Ela é assim
Bonita
Terna
Sabendo
E intuindo sempre
Cada minha dor
Cada minha alegria
Cada cor do meu sentido


Ontem
Uma angustia
Chegada do nada
Diria quase que
Premonitória
Embateu na susbtância
Da minha Alma
Talvez fossem fragrâncias
Da lua cheia
Ou ondas voláteis
Mas a verdade é que
Ela sentiu algo
Aproximou-se
E no seu verdadeiro gesto
Abraçou-me carinhosamente
Digo mesmo
Deliciosamente
Enroscando-se no meu corpo
Confortando-me interiormente


Ela
É assim
Especial e única
Sempre pronta a dar
Nunca
Em receber
Devoção máxima
Conciliatória
De Mulher plena
E sabiamente notória


Ela
É assim
A cada dia
Estou mais certo
Nascida para mim
Na sua lealdade
Na sua presença
Na sua ternura
Na sua apuradíssima
Sensibilidade


Ela
É assim

Total e Plena

Tal como

Eu um dia sonhei

Uma
Mulher


Para Mim …..






Luis Sousa

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Hoje ... Mais do que nunca


A cada jornada
A cada dia que passa
Maior é a certeza de que
Somos Guiados por uma
Expressão Superior de Inteligência
Qualquer que seja o nome
Que queiramos atribuir-lhe …


Na minha infância
A aquariofilia foi um dos
Entretenimentos que desfrutei
E que já aí me surpreendi
Com factos que na altura
Ultrapassavam a minha
Juvenil compreensão
Pois alguns dos factos
Eram Extensões Divinas
Expressas pela Natureza ….


Constatei que numa das
Espécies tropicais de peixes
De aquário que tinha
As fêmeas
Para sobrevivência da espécie
E após
O seu ciclo de fertilidade ter cessado
E quando atingiam uma idade madura
Transformavam-se
Em machos dominantes
E assim preservavam a continuidade
Das gerações futuras ….


Há tempos deleitei-me na leitura
De um livro
No qual encontrei algo de absolutamente
Fantástico e fabuloso
E que vai no seguimento do que
Em cima mencionei ….

Nas savanas africanas
Existe uma árvore de meio porte
Cujas folhas são um alimento suculento
Para os herbívoros que ali habitam …

Confirmou-se por estudos efectuados que
Essas arvores em períodos críticos
Provocado pelo consumo excessivo
Das suas folhas
E numa resposta
De sobrevivência da espécie
Comunicavam com as suas congéneres
A quilómetros de distancia
Avisando do perigo ….


Essas árvores distantes
Ao receberem esses sinais
De comunicação invisível
Produziam uma proteína
Que fornecia um paladar
Extremamente amargo às suas folhas
Evitando assim o seu consumo
Por parte dos herbívoros
Que delas se alimentavam ….


Quando a minha filha
Tinha cerca de 1 ano e meio
De idade
Estava ela comigo em casa
Na sala de estar …

Ela estava de costas para uma estante
Que ocupava uma das paredes dessa
Mesma sala ….

Inesperadamente uma das portas envidraçadas
Descolou-se do friso de madeira que a segurava
Sem fazer qualquer ruído ….

Nesse dia mais uma vez constatei
A Expressão Protectora Divina ….

A minha filha com a sua tenra idade
E sem ter havido nenhum sinal sonoro
Ou outro verificável no momento
Percepcionou o perigo iminente
E correu em frente cerca de um metro
Evitando assim o impacto …..


Foi algo
Verdadeiramente avassalador
Cujas palavras ficam longe
De poder exprimir
O que naquele dia senti e presenciei ….


Naquele dia o registo
De mais esse fenómeno
Testemunhado pela minha pessoa
No meu consciente germinou
O processo que iniciou
A minha atenção e abertura
Para a percepção dos subtis sinais
Da Superior Inteligência ….


Hoje
Mais do que nunca
Constato

Que de facto
Existem

Expressões do Divino

Que habitam
O universo comum

Da

Espécie humana ….





Luis Sousa

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Vi um Sinal igual ....

Amor Meu
Ao ver esta imagem
Vi um sinal igual
Á luz do Teu olhar
Em que encontro a Verdade
Da cor do Teu Mar


É nesse Teu Mar
Que eu vivo
É nesse Teu Mar
Que eu me entrego
Num profundo mergulhar
E deixo-me serenamente
Afogar



Amor Meu
Isto hoje foi um
Repentino desejo
De Te dizer
Como é bom receber
Em cada dia o Teu Amor
Selado
Em cada Teu Beijo


Amor Meu
Sim foi repentino
Este meu desejo
Pois floriste no meu pensar
E neste impulso irrecusável
Fluiu este momento
Esta forma de Te dizer
Como é bom
Eu também Te Amar


Entre Mim e Ti
Não existe
Receber e dar
É uma fusão
De Amor
Companheirismo e Sentimento
Cujo registo
Estará certamente escrito
Numa tábua imaginária
De um qualquer Templo


É assim
Este momento
Sem pensar
Surgiu no meu firmamento
Acordaste por Ti
O meu Sentimento
Não podia calar-me
Perante este compulsivo
Chamamento


Só para terminar

O Amor
Que tenho por Ti
É mais profundo

Que

Qualquer Oceano

Ou que

Qualquer Mar …..





Luis Sousa

domingo, 12 de outubro de 2008

Paro e Pergunto-Me ....


Por vezes
No Chamamento
Que em mim escuto
Entre simplicidades
E complexidades que me chegam
Paro e pergunto-me



No meio
De um passado
Onde resistem
As grandes memórias
De vivencias únicas
Na infância
Na adolescência
Onde o meu embrião de adulto
Germinou as suas epopeias
E as suas peculiares histórias


Afinal
Quem sou Eu ?


Terei sido eu
Um Caminhante peregrino
Vestido de sonhos e ilusões
De bolsos rotos em suas vestes
Que em certos lugares
Inadvertidamente
Deixou cair sementes de paixões ?



Ou terei sido eu
A face irreverente de um Olhar
Que nas suas implacáveis incursões
Provocou tempestades e furacões
Abanou Almas e Corações
Deixando destroços
Expressões de lágrimas corridas
Sinonimo de dores e destruições ?


Afinal
Quem sou Eu ?


Julgo ser
Um humano simples
Nascido são
Crescido no confronto
Com a realidade
Tendo ficado algo ferido
Depois
Pelos anos fortalecido
Determinado a extinguir
Muitas das suas imperfeições



Na medida
De cada momento
Em cada fase
Deste tempo
Só pretendo
Paz
Saúde e Tranquilidade
O Amor
De quem me Ama
A Amizade sincera
De quem reconhece
As perspectivas diferentes
Na órbita desta esfera



Mas a verdade
É que a pergunta
Em mim persiste
Faz parte do Chamamento
Que de mim
Não desiste



Afinal
Quem sou Eu ?



Sinto-me
Ser um afortunado
Pela Graça e Gratidão
Que na profundidade
Da minha Alma eu sinto
Pela dimensão grandiosa
Das pequenas grandes coisas
Apesar de todas as dificuldades
Das dores e sofrimentos que
Na minha vida existem
E que perante o Universo
Que me encaminha e protege
Eu aceito o desafio sempre
E jamais
E em circunstancia alguma
Eu minto



Pois
Mais do que isso
É difícil responder
À Fonte do Chamamento
Que me envolve e me chama
Estou certo de que
Saberá compreender



Que nada mais sou
Que um
Simples Ser


Disposto
A observar a essência
De tudo em cada coisa


Para

Continuar sempre


Em Permanência


A


Agradecer ….








Luis Sousa

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Talvez .....


Entre o engano
E o desengano
Que culminam
Nas rotas de colisão
Fomentadas
Pelas experiências
Já vividas
Na dor e na desilusão
Carregamos os estigmas
Que em tempo incerto
Perfuraram o epicentro
Da pureza estabelecida
Das inocências
Em tempos perdidas


Talvez
Pelas circunstancias
Sejamos impelidos
A tantas distancias
Pois que
Na névoa
E na bruma
A dificuldade
É mais que uma
No reconhecer
De uma Alma de bem
Na prática
É Fundamental
Que o outro lado se abra
Na verdade também


Talvez o som
Dos meus passos
Se escutem
Numa qualquer margem
Ressoem e agitem
A água de um rio
Criando
Uma ondulação suave
Por vezes brusca
Crivada de questões
Que por vezes
Confunde e assusta


Talvez
O ar que transformo
Quando inspiro
Configure um código
Estranho ao comum
De acesso não fácil
Quando
Numa outra paisagem
Um desperto Ser
Concede um suspiro



Talvez
Ao caminharmos
Pelo estuário da Esperança
Sem nos darmos conta
Pisamos uma pedra no chão
Onde habita uma flor
Contendo brilhos florescentes
Em cada contraste da sua cor
Por vezes passamos
Não vemos
Não ouvimos nada
Por outras sentimos
O choro
Da sua dor



Talvez
Para nossa protecção
Os Deuses condicionem
A intensidade
A fervura
A ebulição
Dos fluidos movidos
Desse universo enigmático
Cuja fonte reside
No cerne efervescente
De cada emoção


Talvez
Seja hora

De


Em silencio


Declamar um Mantra

Numa sentida

Oração …..






Luis Sousa

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Ser Livre ....


Não é fácil
Ser livre
E permanecer imune
À psicopatia colectiva
Do tresmalhado rebanho


Não é fácil
Ser livre
Mantendo um rumo
Distanciado
Das investidas dos esquivos
Que no caldo salubre
Da manifesta ânsia
E hipocrisia
Sem qualquer pudor
Se deleita
Tomando assim
O seu auspicioso banho


Na verdade
Não é fácil não
Ser livre
Num circo onde
A matilha dominante
Aglomerado
Por traiçoeiras feras
Dita as regras
De qualquer jogo


Neste circo sem sentido
A máxima
É a regra do vale tudo
O que importa é
O objectivo conquistar
Conseguir
Em frente seguir
Fazer o outro não pensar
Tornando-o assim mudo


Mas
Como pode alguém
Apagar as luzes
Do seu discernimento?
Jamais pode alguém ignorar
O seu sentimento
Essa raiz profunda
Que em permanência
Fecunda a essência
Do seu alimento


Apesar do fio
Que não se quebra
No trilho da permuta
Que traça a real conduta
Por vezes
Fica-se em perigo
De pelos humanos
Na generalidade
Se perder a compaixão


Não é fácil
Ser livre
Baixar o escudo
Guardar a espada
Acreditando
Na pura bondade
Que neste carrossel
Se reveste tantas vezes
De envoltos pigmentos
Da mais sinuosa maldade


Ser livre
Ser autêntico
Não se deixar
Pela mentalidade
Do rebanho subjugar
É pagar um preço alto
Próprio de quem jamais abdica
Da liberdade
Da sua independencia
Na intrangigencia
De qualquer submissão
Ou de qualquer vassalagem
Nunca prestar


Ser livre
É sofrer
Não vacilando
Sem nada dizer
É saber o traçado escrito
Pelos ventos
Ora puros
Ora cinzentos
Que trazem
As folhas do destino

Sem nunca se afastar

Um milímetro


Do Traço


Do Seu Caminho …..







Luis Sousa