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sábado, 20 de março de 2010

O Silvo do Vento ....







O que eu procuro
Talvez já exista
Nos dias
Ou nas noites
Que anunciam os sons
Das minhas madrugadas


Talvez
O que eu busco
Já esteja lá
No silvo do vento
Que sem me aperceber
Sinto por vezes
A sua presença e o seu sopro
Em cada amanhecer


Talvez seja
Essa coisa inexplicável
Onda indecifrável
Que me impulsiona
E que me eleva
Reafirmando o valor
Residente
Na liberdade do desapego




De certa forma
Essa onda indecifrável
Ajuda-me a reconhecer
Que as horas confusas
Das fortes intempéries
Acontecem necessáriamente
Concedendo espaços próprios
Podendo assim a Alma crescer




Na realidade
De tudo o que acho
Que me faz falta
Eu penso já ter muito
Fazendo assim
Desse substrato essencial
Uma consistência polarizada
Onde convergem
As linhas invisíveis
Que constroem as bases
Que inspiram a propagação
Deste sentido meu




É tudo isso
Que me faz pensar que
Qualquer que seja
O que eu espere do amanhã
A conquista real
A verdadeira
Estou ciente que
É isso tudo
Que já tenho hoje




É essa visão consciente
Apesar das tempestades vindouras
Devo ter presente
No sentido de limpar
A névoa deste olhar
Por vezes intoxicado e poluído
Por uma realidade exterior
Complexa e contraditória




Conversas interiores
Questões
Interrogações e pertinências
Que acontecem
Na vastidão do silencio
Procurando a essência
Construindo e reconstruindo
Elos e cadeias
Farois e lamparinas
Que iluminam
Os labirínticos traçados
Desta viagem
Complementada por ideias
Imagens
Murmúrios e ecos
De capítulos registados


Na verdade
É um silencio purificador
Uma fonte regeneradora
E mais do que nunca
Faz todo o sentido neste contexto
Pois fornece
A necessária profundidade
Distanciada da intoxicação
Da constante consumação
Dos barulhos corrosivos
Afastando os ruídos
Que poluem as coordenadas
Da verdadeira comunicação



Desbravar esses caminhos
Levando mais longe


Buscando
A atitude mais firme
Centrada na essência


Seja essa
A vontade procurada

Seja essa a força
Que fornece
O desejado movimento
Em cada especial momento


Pois a essência é a Vida

E a forma
Como ela passa por nós


Tavez fique escrito


Algures no universo




A forma como



Cada um de Nós



Atravessa o seu Tempo ….









domingo, 14 de março de 2010

Invulgar Alquimia ...







Esta simbiose
Entre a flutuação da melodia
E a sequencia
Dos vários níveis da emoção
Que nos distintos
Ambientes pictóricos
Da imaginação
De forma sublime
Invade e irradia



Esta invulgar alquimia
Esta vertigem
Que se sente a magia
Mas nunca sei o lugar
Da sua
Verdadeira origem



Esta forma singular
De tocar
A neblina da madrugada
Na sua linguagem oculta
Tecendo as linhas
Talvez de linho
Quem sabe
Talvez de seda
Que irão aconchegar
Proteger
A cromatografia
Os capítulos
Os segmentos
Partilhados e lentos
Que fazem a história
De cada dia



Esta forma
Difícil de traduzir
Difícil de explicar
Na alternância dos planos
Deste estar no mundo
Como se estivesse fora dele
Escutando sons
Filtrados pelo tempo
Esculpidos pelo abstracto
Ampliados pelo silencio
Em que se pensam imagens
Palavras
Sentimentos
Emoções e tantas coisas
De cadencia despojada
Ou de intensidade excessiva
Mas sempre enquadrados
Numa interioridade
Sempre extraordinária



Essa forma
Essa linha
Essa curva
Essa espécie de vibração
Composta por uma melodia
Diria ancestral
Que existe em cada Ser
Som base e primordial
Que sem o perceber
Sabe-se reconhecer
Impresso nos genes
Que accionam o arquivo
Da memória dos homens
Lugar esse etéreo
Extensão sublime
Dos ecos das pedras
Ofuscados
Pela humidade indecifrável
Dos lugares ermos
Desconhecidos
E dos abismos



Nessa conjugação
Cuja exploração se torna
Quase divina
E subjectivamente histórica
Observar e escutar o mundo
Observar e escalpelizar os gestos
Purgar os protestos
Racionalizar e reinventar
Novos lugares
Para novos momentos
Para depois os desfrutar
Os repetir
Com tonalidades diferentes
Revelando emoções
Renovando
Inspirando sentimentos



Nesta difusa ondulação
Permanece a tentação
De conseguir
Iluminar os sonhos
Sem alterar a vibração
Sem comprometer
A respiração cósmica
E sem dissipar a claridade
Do universo
Que nos envolve
Que nos direcciona
E sabiamente nos guia




Talvez seja essa



A ilustração


A libertação


A mais pura realidade




Imbuída



Da Mais Nobre Fantasia ….












domingo, 7 de março de 2010

Plasma Profundo ...














No meio
Desta convulsão interna
Que espalha partículas
Onde abundam arestas
Por vezes
Cortantes e luzidias
Deixo-me ficar
Sentado
Neste muro de pedra
Esculpido pela ira do vento
Tento assim proteger-me
Do calor
Abrasivo do momento
Na sombra da árvore
Cujas raízes nascem
Na terra solta e revolta
Em que assentam as bases
Dos alicerces fustigados
Que suportam
O meu pensamento



Sinto-me assim
Forasteiro
De todos os destinos
Estrangeiro
De todos os domínios
Pareço assim transitar
Numa planície
Cujo horizonte se mistura
Com as cores de uma vontade
Ecos de uma qualquer saudade
Que já não sei
Se alguma vez foi minha



É nesta diáspora
Que me fica a sensação
De que há sempre um vazio
Que espreita
Na margem do rio
Numa dissecação
Quase fenomenológica
Que em cada módulo sentido
Parece assim
Conseguir tocar
No plasma profundo
Substancia intrínseca
Onde reside
A continuidade temporal
A argamassa e a mistura
A consistência
Entre o Ser individual
E a fatal circunstancia
Essa matriz única
Que imprime
A geografia interior da existência



Nesta permanente viagem
Cuja intensidade subjectiva
Resvala para um plano
De interpretações e experiencias
Sempre solitárias
Numa órbita de circunstancias
E acontecimentos
Que alteram as coordenadas
Que modelam
A criação mais complexa
Da nossa observação
Perante todos os momentos



Nessa sensação
Nesse ficar
Que por vezes

Esvazia

Descolora

E tira o sal



Ficam somente as pedras


Os búzios


As conchas


As estrelas do mar





Dos Meus Pensamentos ….










domingo, 28 de fevereiro de 2010

Substratos Únicos ...





Vagueando
Por entre estas luzes
Que lampejam na penumbra
Da minha imaginação
Que alimenta
O substrato do sonho
Contagiando a realidade
Com aromas bons
Que perfumam a alma



Tudo isto
É o natural processo
Que ao longo do tempo
Esgrima experiencias
Desde a simplicidade
Ao calor do excesso
Expondo momentos
De fulgor e clarividência
E outros tantos
Vertiginosos e sem nexo



E quando olho
Para esses olhos
Castanhos esverdeados
Vejo paisagens
Vejo reflexos de amor
Ternura e desejo
Elementos essenciais
Que viajam sempre
Em cada teu beijo



No meio de tudo isto
Existem sinuosidades
Ondas vibratórias
Subtis
Feitas de gestos e sinais
Expressões complexas
Outras ocasionais
Sentidos de coisas simples
Polvilhadas
De condimentos especiais



Vou assim caminhando


Mais consciente


Mais vocacionado


A estes espaços
Absolutamente essenciais


Espaços de entrega

Sinais perfumados

De Amor e Afecto


Substratos únicos


Verdadeiros bálsamos da Vida




Que nunca são demais …












domingo, 21 de fevereiro de 2010

Cada Nosso Momento ...











Após todo este tempo
Em que nós os dois
Peneiramos e escolhemos
Cada significado
Que vem no pó
Na poeira fina do vento
Aqui estamos
E aqui continuamos
Certamente mais sábios
Obrigatoriamente
Mais maduros e puros



Após todo este tempo
Guardo as memórias
Que ao longo
Das idas e vindas do vento
Constituíram
Todos os capítulos
Com que decoramos
As imagens
Das nossas histórias



Sinto-me assim
Nostálgico e grato
Por ainda haver
Um outro tempo
Para contigo desfrutar
Passeios e viagens
Contínuas aprendizagens
No seio ondulante
Deste nosso imenso mar



Conhecendo hoje
A finitude
De todas as paragens
O tamanho deste tempo
Configura-se
Com outras medidas
Com outras relíquias
Outras referências
Portas e janelas
E outras conquistas
Pois
Cada pedaço
Cada partícula
E cada fragmento
Requer a presença
Vincada
Da consciência
Do Amor
E do pensamento



Sinto-me assim
Impregnado e fundido
Neste caminho
Complexo e arrojado
Que ao longo desta viagem
Trilhei
Sempre contigo



Quero assim
Neste outro tempo



Polir mais

Cuidar mais

Aproveitar mais


Fazer brilhar mais





Cada Nosso Momento ….


















sábado, 13 de fevereiro de 2010

Particulas Similares ...







E foi aí
Que eu encontrei
O outro lado
Onde só existe
O que vem da vontade
Na simplicidade e no excesso
Na agua da boca que nasce
Na fantasia
Do mais apetecido pecado



E foi aí
Que eu reconheci
A diferença
Do universo vazio
Na indiferença
E de quem conquista
A noção clara
Da força dessa presença




Nos reflexos coloridos
Transversais
Partículas similares
A constelações eternas
Enganos consentidos de cristais
Numa lenta e pausada contemplação
Perfumada
De intensidade e iodo
Inspirei a magia
Sinergia e beleza desse mar
Que me fez demorar devagar
Apesar da loucura da viagem
Pois era hora
De acender as luzes de dentro
E ao mundo
Da realidade voltar



São passagens
São pontes para diversas margens
Onde é possível
Talvez desfrutar
Espaços variantes
De outras paisagens
Assimilando conscientemente
Códigos e nomenclaturas
Virgulas e pontos finais
Simbologias e sinais
Suportes claros
De outras mensagens




E foi aí
Que na procura desenfreada
No grito abafado
Pela boca amordaçada
Que exausto e cansado
Acordei
Meio atordoado me levantei
E passado uns momentos
Pensei
E até sorri
Porque o acaso
É uma palavra desmedida
Que pode guardar
Uma pequena ou grande verdade
Que dura para toda a vida



E foi aí


Que teve lugar


O momento crucial de viragem


Acreditando na mensagem


Num rumo incondicional




Infinito


E sem qualquer medida ….















sábado, 6 de fevereiro de 2010

Sem Dúvida ...






Prefiro sem dúvida
A plenitude do infinito
O significado
De um sublime momento
Que não é possível ser
Totalmente descrito



Prefiro sem dúvida
O frio e o calor
Da sensação da vertigem
A emoção
Da flagrante utopia
Que expira e brilha
Ausente de qualquer razão



Sem dúvida que prefiro
O genuíno e o espontâneo
O belo e o profundo
A um nível sublime
Que excede
O valor momentâneo



Prefiro a lua
Prefiro a noite
A madrugada
O cheiro da neblina
O aroma de uma mulher
A textura sedosa
Da sua pele nua



Prefiro a teia
O enredo
O contexto
Composição do pensamento
A magia de um momento
A solidão escolhida
No Encontro único do Ser
Numa respiração profunda
Viagem à essência
Harmoniosa e sem medida



Prefiro a tranquilidade
Revigorante do silencio
Prefiro a exaltação da ideia
Sentimento feito palavra
Vibração emocional
Que existe na liquefacção
Da erupção da melodia



Prefiro o lado intimista
O circulo dourado
Que protege o núcleo
A cumplicidade
A química do fermento
A vontade
O sonho da verdade
A fantasia encantada
A alquimia dos sentidos
A inspiração
O fluxo criativo

Tudo em movimento




Prefiro sem dúvida

A distancia do ruído


A proximidade
Da liberdade e do completo
No cantar mágico
Dos pássaros livres


Prefiro
O selo sagrado

Totalmente impregnado



Na Verdade inviolável



Do Mais Puro Sentimento ….