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domingo, 7 de março de 2010

Plasma Profundo ...














No meio
Desta convulsão interna
Que espalha partículas
Onde abundam arestas
Por vezes
Cortantes e luzidias
Deixo-me ficar
Sentado
Neste muro de pedra
Esculpido pela ira do vento
Tento assim proteger-me
Do calor
Abrasivo do momento
Na sombra da árvore
Cujas raízes nascem
Na terra solta e revolta
Em que assentam as bases
Dos alicerces fustigados
Que suportam
O meu pensamento



Sinto-me assim
Forasteiro
De todos os destinos
Estrangeiro
De todos os domínios
Pareço assim transitar
Numa planície
Cujo horizonte se mistura
Com as cores de uma vontade
Ecos de uma qualquer saudade
Que já não sei
Se alguma vez foi minha



É nesta diáspora
Que me fica a sensação
De que há sempre um vazio
Que espreita
Na margem do rio
Numa dissecação
Quase fenomenológica
Que em cada módulo sentido
Parece assim
Conseguir tocar
No plasma profundo
Substancia intrínseca
Onde reside
A continuidade temporal
A argamassa e a mistura
A consistência
Entre o Ser individual
E a fatal circunstancia
Essa matriz única
Que imprime
A geografia interior da existência



Nesta permanente viagem
Cuja intensidade subjectiva
Resvala para um plano
De interpretações e experiencias
Sempre solitárias
Numa órbita de circunstancias
E acontecimentos
Que alteram as coordenadas
Que modelam
A criação mais complexa
Da nossa observação
Perante todos os momentos



Nessa sensação
Nesse ficar
Que por vezes

Esvazia

Descolora

E tira o sal



Ficam somente as pedras


Os búzios


As conchas


As estrelas do mar





Dos Meus Pensamentos ….










domingo, 28 de fevereiro de 2010

Substratos Únicos ...





Vagueando
Por entre estas luzes
Que lampejam na penumbra
Da minha imaginação
Que alimenta
O substrato do sonho
Contagiando a realidade
Com aromas bons
Que perfumam a alma



Tudo isto
É o natural processo
Que ao longo do tempo
Esgrima experiencias
Desde a simplicidade
Ao calor do excesso
Expondo momentos
De fulgor e clarividência
E outros tantos
Vertiginosos e sem nexo



E quando olho
Para esses olhos
Castanhos esverdeados
Vejo paisagens
Vejo reflexos de amor
Ternura e desejo
Elementos essenciais
Que viajam sempre
Em cada teu beijo



No meio de tudo isto
Existem sinuosidades
Ondas vibratórias
Subtis
Feitas de gestos e sinais
Expressões complexas
Outras ocasionais
Sentidos de coisas simples
Polvilhadas
De condimentos especiais



Vou assim caminhando


Mais consciente


Mais vocacionado


A estes espaços
Absolutamente essenciais


Espaços de entrega

Sinais perfumados

De Amor e Afecto


Substratos únicos


Verdadeiros bálsamos da Vida




Que nunca são demais …












domingo, 21 de fevereiro de 2010

Cada Nosso Momento ...











Após todo este tempo
Em que nós os dois
Peneiramos e escolhemos
Cada significado
Que vem no pó
Na poeira fina do vento
Aqui estamos
E aqui continuamos
Certamente mais sábios
Obrigatoriamente
Mais maduros e puros



Após todo este tempo
Guardo as memórias
Que ao longo
Das idas e vindas do vento
Constituíram
Todos os capítulos
Com que decoramos
As imagens
Das nossas histórias



Sinto-me assim
Nostálgico e grato
Por ainda haver
Um outro tempo
Para contigo desfrutar
Passeios e viagens
Contínuas aprendizagens
No seio ondulante
Deste nosso imenso mar



Conhecendo hoje
A finitude
De todas as paragens
O tamanho deste tempo
Configura-se
Com outras medidas
Com outras relíquias
Outras referências
Portas e janelas
E outras conquistas
Pois
Cada pedaço
Cada partícula
E cada fragmento
Requer a presença
Vincada
Da consciência
Do Amor
E do pensamento



Sinto-me assim
Impregnado e fundido
Neste caminho
Complexo e arrojado
Que ao longo desta viagem
Trilhei
Sempre contigo



Quero assim
Neste outro tempo



Polir mais

Cuidar mais

Aproveitar mais


Fazer brilhar mais





Cada Nosso Momento ….


















sábado, 13 de fevereiro de 2010

Particulas Similares ...







E foi aí
Que eu encontrei
O outro lado
Onde só existe
O que vem da vontade
Na simplicidade e no excesso
Na agua da boca que nasce
Na fantasia
Do mais apetecido pecado



E foi aí
Que eu reconheci
A diferença
Do universo vazio
Na indiferença
E de quem conquista
A noção clara
Da força dessa presença




Nos reflexos coloridos
Transversais
Partículas similares
A constelações eternas
Enganos consentidos de cristais
Numa lenta e pausada contemplação
Perfumada
De intensidade e iodo
Inspirei a magia
Sinergia e beleza desse mar
Que me fez demorar devagar
Apesar da loucura da viagem
Pois era hora
De acender as luzes de dentro
E ao mundo
Da realidade voltar



São passagens
São pontes para diversas margens
Onde é possível
Talvez desfrutar
Espaços variantes
De outras paisagens
Assimilando conscientemente
Códigos e nomenclaturas
Virgulas e pontos finais
Simbologias e sinais
Suportes claros
De outras mensagens




E foi aí
Que na procura desenfreada
No grito abafado
Pela boca amordaçada
Que exausto e cansado
Acordei
Meio atordoado me levantei
E passado uns momentos
Pensei
E até sorri
Porque o acaso
É uma palavra desmedida
Que pode guardar
Uma pequena ou grande verdade
Que dura para toda a vida



E foi aí


Que teve lugar


O momento crucial de viragem


Acreditando na mensagem


Num rumo incondicional




Infinito


E sem qualquer medida ….















sábado, 6 de fevereiro de 2010

Sem Dúvida ...






Prefiro sem dúvida
A plenitude do infinito
O significado
De um sublime momento
Que não é possível ser
Totalmente descrito



Prefiro sem dúvida
O frio e o calor
Da sensação da vertigem
A emoção
Da flagrante utopia
Que expira e brilha
Ausente de qualquer razão



Sem dúvida que prefiro
O genuíno e o espontâneo
O belo e o profundo
A um nível sublime
Que excede
O valor momentâneo



Prefiro a lua
Prefiro a noite
A madrugada
O cheiro da neblina
O aroma de uma mulher
A textura sedosa
Da sua pele nua



Prefiro a teia
O enredo
O contexto
Composição do pensamento
A magia de um momento
A solidão escolhida
No Encontro único do Ser
Numa respiração profunda
Viagem à essência
Harmoniosa e sem medida



Prefiro a tranquilidade
Revigorante do silencio
Prefiro a exaltação da ideia
Sentimento feito palavra
Vibração emocional
Que existe na liquefacção
Da erupção da melodia



Prefiro o lado intimista
O circulo dourado
Que protege o núcleo
A cumplicidade
A química do fermento
A vontade
O sonho da verdade
A fantasia encantada
A alquimia dos sentidos
A inspiração
O fluxo criativo

Tudo em movimento




Prefiro sem dúvida

A distancia do ruído


A proximidade
Da liberdade e do completo
No cantar mágico
Dos pássaros livres


Prefiro
O selo sagrado

Totalmente impregnado



Na Verdade inviolável



Do Mais Puro Sentimento ….












domingo, 31 de janeiro de 2010

Há dias Assim ...







Se nas tempestades
Nas contradições
Nos reveses
No amargo acre
Onde existe a dor
E no vazio onde existe
A ausência de cor
Na consciência do real
Procuro assim
Talvez por uma brisa
Com um sabor especial
Talvez por uma paisagem
Que me faça acreditar
Talvez por uma curva qualquer
Que me deixe uma sensação
De bem estar



Porque do muito
E de tudo o que tenho
Tem dias
Que me perco de tudo
Que me abstenho
De qualquer sentido
De qualquer rumo

Por vezes pergunto-me
O que é isto
Mas não sei
Talvez seja um outro lado
Mais oculto de mim
Essa essência minha
Longínqua sem fim
Procurando por algo
Talvez por um sinal
Um sinal Especial
Quem sabe até
Como na sabedoria ancestral
Por entre os montes
Por entre as escarpas
Revelações por sinais de fumo



Eu sei
Eu sei que sim
Que o mar vai e vem
Que depois de um dia
Vem outro dia
Onde os jogos de luz
Têm uma tonalidade diferente
Onde as conexões
Do meu pensamento
São envolvidas
Por um abraço mais quente

Onde os meus passos
Acontecem
De modo mais consistente
Onde o meu olhar
Capta brilhos e cores
De uma forma que irá fazer
Este dia de hoje ser
Distante e inexistente




Mas há dias assim

Que me deixam assim


Que me largam por aqui


Neste estar assim





Só de corpo presente ….






quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Confluência Deliciosa ...







Sou sensível
Como a ignição
De um simples fusível
Sou imperceptível
Aos olhares do mundo exterior
Nesta energia que se cria
Na dimensão desta implosão




E sou invisível
No abismo desta perdição
Com que desfruto
Cada especial momento
Desta confluência deliciosa
Preenchida pelo aveludado
De tão singular
E tamanha beleza




Sou sensível a aquelas
Pequenas grandes coisas
Que compõem
A complexidade deste palco
Em que cada acto espontâneo
É provocadoramente divisível




Nesta substancia tendenciosa
Em que me entrego
Na fantasia destes elementos
Cuja linha que contorna e emoldura
É silenciosamente maliciosa
Resta-me então esta sensação
De desporto radical
Pára-quedismo
Queda livre
No espaço vazio total
Desta efervescente condição





Assim descontamino
A engrenagem do sistema
E a jusante alivio
A cota desta barragem
Com que deixo fluir
A rotina do dia a dia
Sabendo sempre que
Está para breve
O clímax vibrante
Com que se reveste
Cada pingo
Desta saborosa magia





Por vezes
Pareço regressar
À minha infância
Pois existem momentos
Em que quando estou só
Pareço brincar
Com os elos articulados
Dos meus pensamentos



Assim com eles
Construo veios
Caminhos e estradas
Imagens
Verdadeiras e imaginadas
Onde acontecem
As nossas mais loucas divagações
Viagens
Extra-dimensionadas





E com tudo isto


Tento fazer e cumprir


Seja qual for a escalada


Conquistar assim
Cada desejado espaço




Nesta viagem continuo
Insisto e persisto



E assim ... não desisto ….