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quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Renovação ....


A renovação acontece
Em cada fase
Do intimo movimento
É sempre
Um novo recomeçar
Um segurar novamente
Nessa constatação
É prudente parar


A renovação
É antes de tudo o mais
Reconhecer e aceitar
Saber interpretar
Notar
Que se este momento existe
É porque
Algo aconteceu
Moveu
Revolveu o fundo
Espalhou o sedimento
Há muito entranhado
Nada mais sendo este
Que um sinal profundo


Esse tempo é ouro
É prata
É dor que não mata
É mão dada
Sem se saber de nada
É o invisível chegando
Reconduzindo e mostrando
Outros trilhos
Com que se faz
Cada etapa
Nessa maratona
Sem limite
Sem hora
Da imensa escalada


A tristeza por vezes
É irónica
É amiga da clareza
Pois
Cria a necessária leveza
Nos gestos
Nas considerações
Nas essenciais assimilações
Desenvolvendo assim
Uma maior
Global destreza


Renovação é isso
Jamais é estática
É fluida e plástica
Não vive num ponto fixo
Renuncia ao hábito entranhado
Caminha e desagua
Noutras planícies

Imbuída
De novos conceitos

De novos sentimentos

Que nascem
Num lugar perdido


De cada

Coração …..





Luis Sousa

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Inexplicável Pedido ....


Na vertigem do dia
Neste intervalo do tempo
Tento traduzir por palavras
Algumas das minhas toadas
Que vibram como ecos
São como reflexos
De relâmpagos
Das minhas trovoadas


Uns chamam-lhe catarse
Até pode ser
Eu chamo-lhe desenlace
De um novelo escondido
Que aos poucos
Desenrolo na cascata
Da minha intimidade
Respondendo em silêncio
A um inexplicável pedido


Frequentemente
Na curva de cada palavra
Eu encontro
O deslizar de outros sentidos
No enclave
Daqueles singulares momentos
Em que se desfrutam
Prazeres únicos e desmedidos


Queria agora
Poisar na tua
A minha mão
Contar-te uma história
Que fala de lugares
Onde com o tempo esvaziamos
O caos do nosso vulcão
Aprendemos
Lentamente e devagar
A cultivar os mágicos sons
Que cantam
A nossa Eternidade


Pois
Falo em Eternidade
Porque aqui
Nesta deambulação menor
É demasiado importante
Potenciar a sensibilidade
Transformá-la
Num sentido maior
Cultivando assim

Cada vez mais


O fluxo da Serenidade ….






Luis Sousa

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Adoro esse Teu Jeito ....


Traço os passos
Das minhas pegadas
Nas calçadas decoradas
Neste rendilhado de betão
Situado no que se chama
Típica selva urbana
Delineada arduamente
Pela mão humana


Por opção
Escolho quase sempre
O traçado
Em que o meu Encontro
Se faz harmonioso
Entre mim
E os meus momentos
De solidão
Pois nem sempre
Estou disposto
A conversa de ocasião


Distancio-me da casualidade
Instigada
Pela sociedade do supérfluo
Defino prioridades
Transparentes e determinadas
No contexto
Das minhas escolhas simples


Agradeço ao Além
A presença permanente
Do sabor suave da tua pele
Dos carinhos
E desejos trocados
Dos beijos suculentos
Fogosos e molhados
Dos gestos de pura entrega
Com que brindas
O meu Ser


Sim
Sinto-Me grato
Pois tudo tem uma razão
E o que eu tenho
De modo nenhum
É pouco


Nutro-Me
Dessas simples coisas
Com infinito valor
Nessa ilha
Que em dias frios
Me aqueço
Com a brasa
Do Teu calor

Jamais isso
Poderá ser pouco

Sim
Sem dúvida
Adoro este Teu jeito


Para um homem
Como Eu

Um homem
Que prefere
Coisas Verdadeiras e simples


Certamente eu seja também


No meio desta selva
E de tudo isto


Talvez
Um tanto
Louco ….






Luis Sousa

sábado, 4 de outubro de 2008

A Linguagem do Espírito


Já há muito
Que a ponte atravessei
E assim tantas poeiras
Que invadem
As janelas desprotegidas
Eu fechei


A minha bandeira
Tem as cores do arco-iris
Do sol
Da terra
Do céu
E da Fonte
Que a Natureza bebeu



A única linguagem Verdadeira
Em que Acredito
É a linguagem do Espírito
Esse universo complexo e Sagrado
Que se exprime no seu
Mais profundo dialecto



Já há muito
Que atravessei a ponte
Cujo destino meu fica
Do outro lado do monte
E para trás deixei
O cheiro nauseabundo
Dos que se dizem vitimas
Mas não passam de
Vocacionados carrascos
Sendo assim carrascos
Cobardes e vergonhosos
Dos puros
Dos inocentes
Nas suas expressões intimas



A cada esquina da vida
Que esbarro numa máscara
Seja ela feita de plástico
Papel ou de barro
Sofro
Mas Agradeço
Agradeço porque
Esse é um sinal claro
Da prontidão do gatilho
Da minha atenção



A linguagem do Espírito
É a única em que
Verdadeiramente Acredito
Pois não necessariamente
Se expressa
Nos canais criados pela ordem humana
Quer escrita ou falada
Pois ela se situa numa outra dimensão
Numa frequência
De energia elevada
Que transforma o invisível em senso
Sendo possível o alcance
E o reconhecimento
Pela percepção apurada



Esta Sagrada linguagem
Comunica
Utilizando uma frequência
Subtil e espontânea
Apelando assim
Aos territórios
Das nossas faculdades superiores
Como o sexto sentido
A percepção psíquica
A clarividência
A acuidade espiritual
A telepatia
A revelação
A intuição
A delicada alucinação
E toda uma multiplicidade
De substratos
Cuja adaptação
É propicia aos elementos emergentes
No movimento subtil
Da ínfima sinalética


É neste território
Que a descoberta dos fenómenos
Outrora ocultos

Se torna
Fundamental
E plena


E é neste território

E é nesta
Sagrada linguagem


Que somente Reconheço
A natureza Pura


Da Minha




Viagem ….








Luis Sousa

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

O Teu Sorriso


Nada mais tocante
Nada mais encantador
Expressivo
E genuíno
Que um sorriso


Um sorriso
Tem o condão
De abrir as fechaduras
Dos portões ferrugentos
Das aparentes
Insolúveis defesas
E criar assim
Os alinhamentos necessários
Para o acontecer
De todas as possibilidades


O sorriso
Transporta o registo
De uma especial química
Uma poção mágica infalível
Que invade e transforma
O sub mundo dos afectos
E da espontaniedade


O sorriso
Cativa a atenção
Desperta a emoção
Delicia-nos na magia
Da sua sedução


O sorriso
Aproxima
Torna tudo mais simples
Mais humano
Criando uma atmosfera
Que possibilita a partilha
De todos os encantos


E com isto
Eu quero que saibas
Que o Teu sorriso
É lindo
Belo
Verdadeiro
Expressivo
E maravilhosamente
Sedutor


Hoje
Mais uma vez
Apetece-me dizer


EU TE AMO ….


= Dia Mundial do Sorriso =





Luis Sousa

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Sensata Contenção ....


Perante a constatação
Já há muito descodificada
Assisto ao continuar
Do cair da máscara
Em cada acto
Em cada impulsividade
Carregado de arrogância
No vernáculo extremado
Do germe bipolarizado


O meu percurso
Vem de longe
Pelo seu conteúdo
Pessoal e intrínseco
Pede-me contenção


O meu rumo é outro
Não se revê nesse porto
Pois aí encontro
O mesmo do mesmo
Há muito visto
Rasgado e esquecido
O mesmo gene camaleão
A mesma simulação
Embrulhada em papel
Estrategicamente adocicado
De tão doce o engodo
Ficou enrijecido


Neste lugar
Não existe
Qualquer pretensão
Por isso não vive de aplausos
Nem aqui
Nem em lugar nenhum
Muito menos
Dos pseudo anais
Da interpretação


Este embrião teve inicio
Num outro lado do tempo
Quando na infância adolescente
Dedilhava uma viola
Comprada em segunda mão
E sozinho escrevia as letras
Que traduziam a utopia
Da minha canção


Hoje
É necessidade
É prazer
É paixão

É ritual
Da minha íntima Oração


Quanto ao resto

Fico pela contenção

O Caminho que trilho
É outro

E a aprendizagem
Nele contido

Pede-Me
Perante o que vejo

Uma sensata

Contenção ….






Luis Sousa

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Ternuras Invisíveis ...


Na curva
De mais um dia
Algo que não sei
Traduzir
Explicar
Perfumou a minha memória
Com uma lembrança
Numa frase de um livro
Que naquele momento
Eu lia


Deixo-me levar
Por esta indecifrável
Alquimia
Vagueio assim
Nos meus pensamentos
Sem encontrar explicação
Para fenómenos
Que ao longo do tempo flutuam
No oceano revolto
Da minha evolução


Tenho
Absoluta consciência
Da fragilidade dos dias
Da fragilidade dos laços
E de tudo o que envolve
A complexidade que leva
Ao momento clímax
De tantas magias


Isso dá-me
Uma observação própria
De um cenário global
Dos ciclos
Das estações do ano
Das dualidades que vivemos
No caldo quântico que nos chega
Nesta órbita em movimento



Existem coisas
Gestos genuínos
Frases belas com sons musicais
Palavras que ressoam no intimo
Ternuras invisíveis
Ao longo do caminho
Que em mim traçam marcas
De reconhecimento
E de profunda emoção


Por vezes
Nos momentos sagrados
Em que só somos
Nós e a solidão
Sentimos sinais
Que nos visitam

Querendo assim os Deuses

Dizerem-nos sempre


Algo mais ….





Luis Sousa