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domingo, 14 de junho de 2009

Erotika Pulsão ....







É uma fonte
De fluxos espontâneos
Flui na transparência húmida
Tornando a lingua molhada


É um novelo
Que se desenrola o fio
Na delicia do prazer
Que reflecte o brilho
De uma imagem proibida
observada no espelho


É filigrana
De rendilhado complexo
Que transpira
No pulsar da imaginação


Falo do erótico
Como uma forma de
Partilha e comunicação
Onde as notas são desejo
Emanadas
Por melodias de inspiração


Erotização
Universo livre
Onde o pensamento
A criação e a palavra
São elos entrelaçados
Em plena difusão


Erotismo
É Arte
É Cultura
Desejo e sedução
Partículas
Da mesma respiração


Paisagens múltiplas
Fisiologicamente estimulantes
Mentalmente fervilhantes


Onde as fronteiras
Não têm cabimento

Pois este

É um horizonte

Onde tudo

Deve acontecer
Na mais livre



Nua e Pura

Expressão ….







sábado, 13 de junho de 2009

Incongruência Minha ...


É português
É na actualidade
Considerado
O melhor do mundo
E para onde vai
Vai receber
30 000 Euros por dia


Sim é verdade
30 000 Euros / dia
Igual a 42 000 US Dólares / dia
E isto só porque
tem talento a jogar futebol


Mas se existe gente
Disposta a pagar isso
Ele faz o que deve
Recebe e agradece


Se perguntássemos
A essa mesma gente
Que lhe vai pagar
Tudo isso
Se estariam dispostas
Com esse dinheiro
A ajudar
A acabar com a fome
Num qualquer canto do mundo


A investir
Em educação
Em saúde
Em países carenciados
Das mais básicas necessidades


A criar empresas
E empregos
A nível global
Que se faz hoje
Tão necessário


A patrocinar
Pesquisas na cura
Do cancro (câncer)
Da sida (aids)
E na protecção do ambiente
Em todo o planeta


Será que a prontidão
E a motivação dessa gente
Seria a mesma ?


Seria mesmo ?


Estou falando
De 30 000 Eur / dia
Que se paga a um jovem
De 24 anos
Só porque o talento
Que tem
Está nos seus pés


Será que sou eu
Que estou fora
Da realidade ?


Será que
O meu olhar
Está distorcido ?


Pois
Deve ser isso
Deve ser incongruência minha

Sou eu que estou
Deslocado


Deste mundo que gira ….









Palavras surdas ...







A mão
Não cabe na luva
O pé não cabe no sapato
Cada medida foge
A qualquer intenção
Antecipadamente concebida


É como que
Uma fantasia requerida
Mas que não serve
Aquela necessidade
Que no mais fundo
Grita e clama
Pedindo por ser conseguida


Talvez
Tudo isso seja
A dor da ferida
Latejante
Que na sua cor tremida
Amordaçada diga
Palavras surdas que
Sem culpas de ninguém
Activam a contagem
Do ciclo da vida


A mão
Não cabe na luva
O pensamento
Não cabe
Na compreensão
E quase tudo foge
Ao discernimento
Do entendimento


Está chegado o momento
Em que o tronco
Ressequido
Perde a humidade
Como seu
Mais velho elemento
E cada vez mais
Vai perdendo
No seu seguimento
Flexibilidade
Para seu sustento


A vida sustentada
Necessita
De uma grande enseada
Porque
Já está visto que
Sem ela

As conexões se perdem


Com a oxidação


Provocada


Por um universo de vontades


Sistematicamente anulada


Que nunca serão mais que



Pedaços de coisas




Que respondem

A quase nada ….










quinta-feira, 11 de junho de 2009

Minha dependência ....







Numa das curvas
Dos meus dias
Dei comigo
Pensando nesta mania
Diria que
Quase uma
Salutar demência
Que desde há muito
Se tornou uma minha
Pura dependência


Uma fuga
Em jeito de mergulho
Fornalha
Misto de pensamento
Sentimento
Emoção e reflexão
Que me faz incinerar
Muito lixo e entulho
Ciclo de fermento
Uma pausa
Onde faço silenciar
Muito do
Envolvente barulho


Preciso dela
Necessito dela
Pois é nela
Que me encontro
Desta estranheza de mim
Desta coisa inexplicável
Que me faz ser
Frontal opositor
Compulsivo gladiador
De tudo
O que mais discordo
Neste mundo construído
Por humanos assim


Na fermentação
Das ideias
Na convulsão
Dos sentidos
Nas agudizadas dores
De muitos até hoje
Caminhos traçados


Procuro nela
Nesta dependência
De pensar e escrever
De projectar
Reflectir
Repensar
Criar
Imaginar e querer



Pois é nela
Que tento encontrar
Mágicas poções
Que me
Acalmem a raiva
Que me
Segurem a revolta
Frutos amargos
Desde há muito provados
Pelo que
Em cada dia
Rotineiramente
Fatalmente
Me confronto e vejo


Sim
Dependo dela
Preciso dela
Alimento-me dela
Curo-me com ela


Desta dependência
De pensar e escrever
Porque é ela
Uma ancora de peso
Que me segura
Na necessária sanidade
Que me protege
E me faz caminhar
Providenciando o sustento
Que me ajuda a viver
Nesta coisa a que
Estes carneiros formatados
Chamam simplesmente
De nossa sociedade



Nesta minha tendência

De pensar
Reflectir
Crescer para dentro
Escrever
Observar e muitas vezes
Não alinhar


Tento-me ajudar
A estar
No mundo
Destes humanos


Preservando assim
Alguma possível Sanidade



Com




Esta Minha



Confessada dependência ….




segunda-feira, 8 de junho de 2009

Percepções ...


Como Seres mutantes
Em constante transformação
E em contínua
Evolução e adaptação
Alinhamos prioridades
Escalonando-as
De acordo com
O que sentimos
Que nos faz falta
E o que
Numa certa fase
Mais aspiramos


Ao entrarmos num estágio
Relativamente experimentado
Do universo das percepções
Vamos reconhecendo que
O parecer
Sem efectivamente o ser
É igual a
Absolutamente nada


Tal como
O valor material
Ajuda
Em alguma coisa sim
Mas não é
Totalmente liquido assim
Num primeiro instante
Parece ser tudo
Mas no continuar
Por vezes
Perde o brilho
Gastando-se a magia
Na marca
Do mesmo trilho


Enfim
O universo
Das percepções
É assim
É um espaço infinito
De muitas constatações


Há gente
Apesar de pobre
Parece ser
Relativamente feliz
E há gente com
Sinais exteriores de riqueza
Que abafam e camuflam
O que
A sua Alma lhes diz


Os desafios são muitos
As interrogações são tantas
O lume brando das soluções
Fervilham nas profundezas
De muitas inspiradas percepções


Escuto
Olho
Respiro
Observo e sinto

E o que mais procuro
Encontra-se nas vagas sublimes
Do oceano profundo da tranquilidade
Libertação crua dos espaços
Em que posso soltar
O fluxo das minhas equações
Na serenidade dos momentos
Que estabilizam o pulsar
Dos meus sentimentos e emoções


É essa tranquilidade
Que valorizo

É essa tranquilidade
Que subscrevo e busco

Pois é nela
Que eu vislumbro
Pigmentos libertadores


Que se escondem por vezes



Nas minhas percepções ….











sábado, 6 de junho de 2009

A Nossa Casa ...







Comemorou-se ontem
Dia 5 de Junho
O Dia Mundial do Ambiente
E na comemoração deste dia
Tive a oportunidade
De assistir e ver
O filme documentário “Home “
Que retrata a nossa Casa
O Planeta Terra


Sem dúvida que
Perante o tremendo alerta
Que este filme
Em cada um de nós
De forma gritante
Faz acontecer
Deixou-me
Algo confuso e perdido
Entre a angustia
E uma réstia de esperança


Quem certamente
Teve a oportunidade
De ver este filme
Saberá com certeza
Traduzir em sentimento
E emoção o que
Eu estou a dizer


Vivemos
Vertiginosamente
O dia a dia
Das nossas vidas
Mergulhados
Nos nossos problemas
Nas exigências
A que somos sujeitos
Nos desejos que demoram
A ser cumpridos


Vivemos
Tão distantes
Desta realidade planetária
Que num prazo
De dez a vinte anos
Pode mudar radicalmente
A forma como vivemos
As necessidades básicas
Que hoje temos
E transformar por completo
O futuro que queremos


Vivemos
As nossas vidas mundanas
Cegos e surdos
Alheados
Das consequências brutais
Que hoje
Já se fazem sentir
Em inúmeros locais
E que em pouco tempo
Se estenderão
A tantos outros lugares


Desde o metano
Prestes a eclodir
Pelo degelo na Sibéria
Cujas consequências
Ninguém
Se atreve a prever
Na escalada brutal
Do efeito de estufa
Passando pela subida
Cataclísmica dos oceanos
E pelo cenário dramático
De falta de água doce
No planeta
E a desflorestação compulsiva
Sinto-me algo perdido

Pela enorme dúvida
Que me assalta
Na real possibilidade
De se reverter este processo
Tendo em conta
O curto espaço de tempo
De que a humanidade
Com todo o seu Saber
Cientifico e tecnológico
Dispõe actualmente
Para o fazer


Sinto-me apreensivo
Sinto-me algo revoltado
Porque decididamente não foi este


O futuro de uma vida

De um Mundo

De um Planeta



Que para os meus filhos



Algum dia



Eu imaginei ter …






terça-feira, 2 de junho de 2009

Calor Único ....







Normalmente
Aqui
Poucas vezes
Falo de nós dois

Mas
Dando continuidade
Ao que
Anteriormente disse
E escutando
Por mais um tempo
Estas melodias
E estas sonoridades


Sinto-me levar por elas
Recordando
Viajando
Por outros tempos
Aconchegando
A tua mão no presente
Guardando esta emoção
Com a tua presença
Num futuro Nosso
Sempre


Quando hoje
Em certos momentos
Olho
Para nós dois


Para além
Deste Amor que Sinto
Para além
Das montanhas que juntos
De mãos dadas
Os dois subimos
Para além dos mares
Do nosso Sentimento
Que juntos navegamos
O que mais me fica

É esta
Incrível sensação

De Agradecimento



Agradecimento
Aos Deuses
Às forças cósmicas
Do Universo
Às linhas
De convergência invisíveis
Que no silencio do vazio
Traçaram
Roteiros soberanos
Que nos seus cálculos
De ínfimas possibilidades
Definiram
Em certo tempo

O Encontro
Das Nossas Almas


Pelo teu Amor
Incondicional
Pela tua dedicação
Sem limites

Quero até
Ao findar dos tempos

Sentir

O sabor
Da tua Presença


E o aconchegante
Calor único


Das


Tuas Mãos ….