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terça-feira, 9 de setembro de 2008

Demasiado Perto

Caminha-se num trilho
Onde se encontram
Essenciais sentidos
Que renovam e protegem
Insulares abrigos
Olha-se em redor
Sente-se a diferença maior
Talvez um brilho
Muito mais enriquecido


A cada dia que passa
A assimilação prudente
É assinalada
Frutificada
Pela Consciência Plena
Ampliada por sinais e fragmentos
Chega assim uma ondulação
Verdadeiramente inspirada


Descobre-se a cada passo
Outra dimensão no espaço
A cada aquisição
Sente-se a diferença
Na serenidade que se bebe
Como um fluido extraído
No pleno exercício
Da pura contemplação


O que se busca
Está para além da bruma
Da tempestade
Do ruído
Do nevoeiro
Que tanto ofusca
O que se busca
Está por vezes tão perto
Tão perto
Demasiado perto
Que até assusta


Sente-se uma centelha
No renovado olhar
Harmoniza-se a Existência
No sentido profundo do vazio
Despertam-se forças adormecidas
Energias outrora cristalizadas
Que agora flúem
Em rotas sinalizadas

Consolida-se assim
A Força da experiência

Que habita

O puro Espírito ….





Luis Sousa

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Total e Pura


Perco o meu olhar assim
No resgate deste mundo
Nas ondas e fluidos
De desejo e fantasia
Que extraio de ti


Sou louco
Pelo teu odor singular
No sabor magiar
Que alimento a Alma
O desejo carnal
Paradoxal
Também espiritual
Que extraio de ti



Sou escravo
Deste travo louco
Efervescente
Fruto deste calor quente
Que me invade tremendamente
O Espírito
A Alma e a mente
Deste desejo sem fim
Que extraio de ti



Neste processo
Sinto-me perdidamente
Possesso
Nas ondas frequências
Longas e curtas
Que juntos sintonizamos
Em horas
Onde as vozes
São esquecidas e mudas



Sou vagabundo
Sou louco
Nesta febre
Nada sabe a pouco
Desta tua loucura
Onde vive e renasce
Esta tua saudável
Urgente emergência
Nesta entrega
Sem fronteiras
Onde a fome de nós
É total e pura



Perco o meu olhar assim


Nesta imagem

Que desperta em mim


Pensamentos

Que se transformam


Em vagas
De inconfessáveis


Desejos



Sem fim ….









Luis Sousa

domingo, 7 de setembro de 2008

Auto-Reflexão


Olhar para dentro
É mais que necessário
Como é imprescindível também
Criar na introspecção
Um campo de possibilidades
Para o reconhecimento dos gestos
Amparos e afectos
Com que somos brindados diariamente



É necessário
Confrontar a nossa mente
Com a tendência comum
Com que somos criados
Na pretensão sistemática
De que a nossa vida
Tem que acontecer de acordo
Com o ideal sonhado
E na convergência
Dos nossos interesses



É essa tendência comum
Que nos faz colidir inevitavelmente
Com o ressentimento
A raiva
A intolerância
E o sofrimento



O mundo gira
A vida acontece naturalmente
E nessa ânsia de que tudo
Deve acontecer com
O nosso cenário idealizado
Cria assim o ambiente propício
Ao culto da frustração
Da auto-compaixão
E da desilusão
Fazendo com que estejamos cegos
Perante toda uma série
De pequenos detalhes e acontecimentos
Que são autênticos milagres e dádivas
Que na maior parte das vezes
Estamos longe de os sentir e reconhecer



Só damos valor
Às dádivas e preciosidades
Que habitam normalmente
Nas nossas vidas
Quando deixamos de as ter
Pois consideramos
Que grande parte do que temos
São dados claramente adquiridos
E assim julgamos que
Jamais serão perdidos



Tal como passamos a dar valor
A um duche quente
Quando nos falta agua pela manhã
Existem tantas outras “pequenas” coisas
Que ao olharmos para dentro de nós mesmos
Numa observação plena dos inúmeros factores
Com que somos abençoados
Podemos dar inicio
A novas etapas de transformação
Numa postura de maior gratidão
Perante a vida que desfrutamos



Olhar para dentro
Significa
Auto-reflexão
Numa dimensão ilimitada
Da composição dos elementos
Que nos devem estimular
A uma das maiores fontes
De reconhecimento universal
Que é a Gratidão



A maior parte do sofrimento
Do ressentimento
E da frustração acumulada
Cujo desfecho leva inevitavelmente
À depressão
Passa muito pela incapacidade
Nesse mesmo reconhecimento
Dos elementos considerados laterais
Que compõem a vivencia individual e colectiva
Passando por uma predominante ausência
Do sentir autentico do valor real dos mesmos


A Auto-Refexão
Conduz –nos necessariamente


Ao Universo


Dos

Abençoados

Reconhecimentos ….








Luis Sousa

sábado, 6 de setembro de 2008

Sagrada Autonomia


Neste domínio
Neste silencio
Na tranquilidade
Desta morosa gestação
Sigo esta força
Que vem do centro
Escuto o chamamento
Já de há muito
Que vem do fundo
Vem aqui de dentro


No equilíbrio
Entre esta nascente
E a realidade
Deste mundo presente
Por vezes
Necessito parar
Algumas vezes
Fechar o olhar e afastar
Outras simplesmente
Isolar o meu lugar
E tão somente distanciar



Meus passos
São passos dados
Com algumas dores
Muitas cores
Gestos opositores
E alguns fardos
Pesos pesados
Assumidos claramente
Preços pagos
Pela sagrada autonomia
Nunca de uma mania
Mas de um interior apelo
Pela liberdade de ser
Contra a imposta social demência
Sempre no meu caminho
Pela lúcida independência



Prefiro
A busca contínua
Do sabor da vida
Sabedoria
Clarividência
Pois em qualquer infância
Enalteço a viva
E deliciosa inocência
Bem como na adolescência
Invoco a energia
Perfumada de rebeldia
Com inteligência
E na vida adulta
Amadurecida
Esclarecida
Preconizo o desfrute
Da sabedoria
Do precioso tempo
Da tranquilidade
Da serenidade
Do Amor
Dos afectos
Dos gestos
Das preciosas escolhas
E da Espiritual sapiência



É assim
Nada é fácil
Mas Eu quero sim
Assumo na acção
Na determinação
Não há nada não
Nem voz de lamento

Sou somente
Um homem


No trilho
Da sua Paz



Neste imenso


Firmamento …..









Luis Sousa

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Sinais dos Seres


Nas idas e vindas
Na realidade
Na imaginação
Na fluidez da inspiração
Naqueles ditos preciosos lugares
Onde se criam
Nuvens de conforto
Parecendo o suave algodão
Em que se transita
E se ganha sempre
Mais um pouco
Em que a Alma escuta
E é possível encontrar
Palavras e preenchimentos
Em observações nunca findas


Encontra-se
Na visita desse calor
Algo que frequentemente
Está ao dispor
Algo que fomenta a questão
No terreno fértil da interrogação


Na ausência da possibilidade
Que confirma a passagem
Para além de outras manifestações
Ficam os pontos
Ficam os nomes
Cidades
Lugares e lugarejos
Sinais dos Seres
Tão já familiares
Que no espaço procurado
Encontram a igual natureza
A igual necessidade
Na busca de harmonizações
De reconhecimentos
E evoluções
Perante a normalidade social
Onde existe tamanha aspereza



A busca e a procura
É a mesma
Pois através do espírito
Sou um mero instrumento
Que na escrita
Expressando-me
Nesta mesma lingua
Deposito a Palavra
Em inúmeras formas
Umas vezes delicada
Outras vezes controversa
Outras tantas imersa
Em planos e dimensões
Que tentam ir para além
Da consciência colectiva
Que existe tão dispersa


Por agora
Nada mais acrescento

Na verdade porém

Sinto-Me honrado
Acompanhado

Pela já tão assídua

E

Familiar presença ….







Luis Sousa

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Nutrida Percepção


Deixo-me levar
Pela noção clara
De que a cada passo
Novas etapas vão chegando
Novas interpretações
Se vão efectuando
Perante um conjunto
De constatações
De invisíveis sinalizações
Cores e brilhos que
De forma tranquila e serena
Se vão paulatinamente revelando


Na condução simples
De um interno caminho
Que vigora
Observam-se fluxos sublimes
Que surgem da fonte
Esse lugar que é tão nosso
Como assim se sente
Mas que na inter ligação
Com o firmamento
Ao universo pertence


Somos
Na profundidade
Da nutrida percepção
Algo muito para além
Da chamada substancia matéria
Pois o desígnio se inicia
Nas coordenadas
Dos roteiros por trilhar
Por decifrar
Essa essência animadora
Verdadeira e imaculada
Das forças emergentes
Da nossa Alma


Encontro a beleza
Na tranquilidade do espaço
Esqueço a existência
Esqueço o Ego
Na sua insistência
Esqueço o mundano
Na pureza do ar que inspiro
Nesta magnificência
Que em pleno deleite
Contemplo e admiro


São estes sintomas
Que em mim
Revelam únicos sentires

São estes Encontros
Que tornam visíveis

Os fundamentos
As constatações

Do que na ignorância julgamos


Como factos


Imprevisíveis …..






Luis Sousa

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Na órbita do Espectro


Não existem facilidades
Na captação do que é
Realmente Valioso
E sem dúvida
Tudo o que é Valioso
Exige sacrifício
Empenho e determinação
E uma das coisas
Mais Valiosas e raras
Que nos dias de hoje
Se pode conseguir
Com muito trabalho e dedicação
É tocar de alguma forma
E assim tentar desfrutar
A experiência da vivência
Na órbita do espectro
Da Serenidade


Viver em Serenidade
Não significa alhearmo-nos
Significa acima de tudo
Valorizarmos o melhor
E a profundidade genuína das paisagens
Interiores e exteriores
Que perfazem
O lado mais importante
Das substancias que compõem
O nosso Mundo


Quanto mais próximos
E conscientes
Do Bem que possuímos
Mais propensos estaremos
A localizar e a detectar
Os espinhos que nos cercam
Disponibilizando-nos então
A escolher tranquilamente
O que mais valorizamos


Serenidade é isto
Mas é também muito
Muito mais
Pois o desvendar
Da sua essência é constante
E requer uma observação
Sem tréguas
Plena e sem limites


Tocar o espectro
Da Serenidade
É reconhecer interiormente
Em nós
A existência desse potencial
Divino e criador
De que todos sem excepção
Somos corolários portadores


A Serenidade
É um estado que se conquista
Que se revisita
E em constante renovação
Na assimilação permanente e diária
Como também na dimensão sagrada
Do nosso próprio

Tempo ….











Luis Sousa