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quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Todos os Minutos contam ...



Às vezes, quando me encontro com velhos amigos, lembro-me da rapidez com que o tempo passa.

E isso faz-me pensar se temos utilizado o nosso tempo de forma adequada ou não.

A utilização adequada do tempo é tão importante.

Enquanto tivermos este corpo e especialmente este cérebro humano incrível, eu acho que cada minuto é algo precioso.

O nosso dia-a-dia é muito vivido à base de esperança, embora não exista a garantia do nosso futuro.

Não há garantia de que amanhã a esta hora estejamos aqui.

Mas estamos sempre na expectativa de que isso aconteça, puramente na base da esperança.

Por isso, precisamos de fazer o melhor uso possível do nosso tempo.

Acredito que a utilização adequada do tempo é a seguinte:

se você puder, esteja disponível para as outras pessoas, ou para outros seres sensíveis.

Se não, pelo menos, abster-se de os prejudicar.

Eu acho que esta é toda a base da minha filosofia.

Concluindo, precisamos de refletir no que é realmente de valor na vida, o que dá sentido às nossas vidas, e definir as nossas prioridades com base nisso.

O propósito da nossa vida precisa de ser positivo.

Nós não nascemos com o propósito de causar problemas, prejudicando outros.

Para que a nossa vida seja de valor, acho que devemos desenvolver boas qualidades humanas básicas - o calor, a bondade, a compaixão.

Então, a nossa vida torna-se significativa , mais pacífica, e mais feliz.


Tenzin Gyatso / Dalai Lama, in 'The Art of Happiness'


Jetsun Jamphel Ngawang Lobsang Yeshe Tenzin Gyatso é atual Dalai Lama, líder religioso do budismo tibetano.


terça-feira, 29 de setembro de 2015

Pois ...




As três linguagens do concreto:

A linguagem da cabeça,a linguagem do coração e a linguagem das mãos.

Tem que haver harmonia entre as três,

de tal maneira que você

pense o que sente e o que faz,
sinta o que pensa e o que faz,
e faça o que sente e o que pensa.


Isto é o concreto.


Ficar somente no virtual é como viver numa cabeça sem corpo.



Papa Francisco


segunda-feira, 28 de setembro de 2015

A Caminhada ...





Caminha-se por um trilho que acompanha as searas que secam ao calor abrasivo do sol , que teima em afirmar a pequenez dos homens, mas parece que eles não entendem essa linguagem que emana de dentro, do chão e dos céus, nem da seiva que brota de todas as árvores …

Mas na mesma caminha-se sem parar, faço minhas as páginas que a areia desenha aos meus pés , e guardo aureolas imperceptíveis de desígnios que resgato a cada viagem do meu pensamento .

Na outra margem do rio em que o tempo flui sem parar, observa-se a beleza miraculosa de uma mãe passeando com o seu filho pela mão, neste registo o sorriso abre-se num feixe longitudinal de satisfação, que alimenta a amplitude da minha respiração, e deixo-me levar movido por este instante de conforto e emoção .

Guardo caixinhas com fragmentos de pequenos instantes sabendo que eles são efémeros, mas reveladores convincentes de percursos que substituem as escarpas de tantas interrogações .

Na frequência e na intensidade , também na luminosidade que vai incidindo sobre o palco onde desfilam os tecelões do pensamento , esbate-se a neblina proveniente da escuridão da noite , e assim emergem raios de sol , descobre-se lá longe a timidez pálida da lua, e eclipsam-se os pontos cintilantes das estrelas .

Depois de várias horas , onde os olhos percorreram sinais de vastidão , regaços esculpidos no chão e moldados pelo vento , chegam as dores do cansaço , sento-me na orla da planície onde se estendem ecos de perguntas mordazes ausentes de respostas .

… resta-me a contemplação do espaço sem fim que me dá uma noção do que é ser intemporal ou infinito, e desenham-se assim ténues linhas que se esfumam na penumbra do horizonte …


Luis de Sousa




domingo, 27 de setembro de 2015

Para Ti ...




Para Ti

Foi para ti
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo

Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que talhei
o sabor do sempre

Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só
amando de uma só vida


Mia Couto, in "Raiz de Orvalho



sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Mas temos , Mãe !




" Tenho pena dos homens que não têm asas para voar por cima das coisas más "

Mas temos, Mãe , temos a Escrita , a Pintura,
tudo o que presta tributo à beleza imanente do Mundo ...

São as nossas asas,
o que nos permite voar sobre os males do Mundo .
Voar sobre as " imperfeições do Mundo",
enfrentar o " terror de te Amar num sítio tão frágil como o Mundo ",
não ter medo de " atravessar contigo o deserto do Mundo " .



Miguel Sousa Tavares in " Não se encontra o que se procura "



quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Procuro-Te ...




Procuro-te

Procuro a ternura súbita,
os olhos ou o sol por nascer
do tamanho do mundo,
o sangue que nenhuma espada viu,
o ar onde a respiração é doce,
um pássaro no bosque
com a forma de um grito de alegria.

Oh, a carícia da terra,
a juventude suspensa,
a fugidia voz da água entre o azul
do prado e de um corpo estendido.

Procuro-te: fruto ou nuvem ou música.
Chamo por ti, e o teu nome ilumina
as coisas mais simples:
o pão e a água,
a cama e a mesa,
os pequenos e dóceis animais,
onde também quero que chegue
o meu canto e a manhã de maio.

Um pássaro e um navio são a mesma coisa
quando te procuro de rosto cravado na luz.
Eu sei que há diferenças,
mas não quando se ama,
não quando apertamos contra o peito
uma flor ávida de orvalho.

Ter só dedos e dentes é muito triste:
dedos para amortalhar crianças,
dentes para roer a solidão,
enquanto o verão pinta de azul o céu
e o mar é devassado pelas estrelas.

Porém eu procuro-te.
Antes que a morte se aproxime, procuro-te.
Nas ruas, nos barcos, na cama,
com amor, com ódio, ao sol, à chuva,
de noite, de dia, triste, alegre — procuro-te.


Eugénio de Andrade, in "As Palavras Interditas"




quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Identidade Própria ...




Construir uma Personalidade

Nem todos estão predestinados a terem a oportunidade de criar a sua própria personalidade, a maioria permanece numa cópia de um tipo de personalidade, sem nunca chegarem à experiência de se tornarem um indivíduo com identidade própria. Mas aqueles que o conseguem, inevitavelmente descobrem que a luta pela personalidade envolve o conflito com as vidas normais das pessoas comuns e os valores tradicionais e convenções burguesas que defendem. A personalidade é o produto do confronto entre duas forças opostas, o impulso de criar uma vida própria, e a insistência do mundo que nos rodeia em que nos conformemos a ele. Ninguém consegue desenvolver uma personalidade a menos que esteja mentalizado para passar por experiências revolucionárias. A extensão dessas experiências difere, claro, de pessoa para pessoa, assim como a capacidade de conduzirem uma vida que é verdadeiramente pessoal e única.


Hermann Hesse, in 'Demian'