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sexta-feira, 11 de dezembro de 2015
O Voluntário da Solidão
Nesta sua opção de vida, penso que alcanço o horizonte das suas margens, na serenidade estabelecida com que tece os fios dos seus dias, preferindo a companhia das árvores, escutando o som aflautado do cantar dos pássaros, molhando as suas mãos nas gotas de orvalho que salpicam a folhagem, contemplando a beleza dos cogumelos como pequenos guarda sois que irrompem do chão, observando os animais que acostumados, já não estranham a sua presença, e com ele se vão cruzando pelos caminhos que a floresta inventa.
Talvez, ele tenha despertado e conquistado um reinado distante e longínquo, entrelaçando parcerias com os elementos, aprendendo a falar o dialecto silencioso das pedras e das plantas, descodificando os infra sons que preenchem e ecoam no reino dos animais, e escutando as vozes ancestrais que pairam na neblina suspensa nos lagos e nos riachos.
Enquanto escrevo estas palavras, estará ele num qualquer recanto do bosque, fazendo e cumprindo a sua vontade de ser solitário, registando no seu espírito e na sua alma, os pigmentos raros adornados por sentimentos únicos, só acessíveis aos que ousam, em comunhão com a natureza que o protege e o envolve, tentando todos os dias e todas as noites, tocar a verdadeira dimensão da sua escolha, e da sua liberdade.
Luis de Sousa in excerto de " O Voluntário da Solidão "
Capítulo inspirado na história verídica de Carlos Sanchez Ortiz de Salazar .
Nota:
“Carlos Sanchez Ortiz de Salazar tem hoje 46 anos. Aos 29 acabara de se licenciar em Medicina em Sevilha, Espanha, quando saiu de casa e nunca mais apareceu. As investigações policiais sem qualquer sucesso acabaram por concluir que o homem estaria morto. Agora, passados 17 anos Carlos Sanchez foi descoberto a viver como um eremita num bosque em Scarlino, uma pequena localidade da Toscana, no centro de Itália. Os pais de Carlos Sanchez viajaram já para Itália para tentar localizar o filho. Mas não vai ser uma tarefa fácil, pois depois de ser localizado e identificado, o homem voltou a desaparecer e não há sinal do seu paradeiro há 15 dias. Testemunhas dizem que o homem habitava numa tenda de campanha há vários anos e que sempre foi pacífico, mas sem comunicar com as outras pessoas.”